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segunda-feira, 24 de abril de 2017

Morre Cândido Carvalho Guerra


Morre, aos 95 anos e seis meses, Cândido Carvalho Guerra, na cidade de Corrente-PI. 

Professor, romancista, cronista, contista e poeta, mestre de muitos mestres do sul piauiense, sua morte abre uma lacuna na literatura e nas letras. 


Deixa um rico legado. 
É autor do Hino da Cidade de Corrente, do Hino do Ginásio Nossa Senhora de Fátima, de Monte Alegre do Piauí, entre outros.
Seus livros inspirados no cotidiano vivenciado por ele e pelo gentio da região perpetuam rudimentares costumes e situações de uma época.

Dentre eles pinço "Do Calcinado Agreste ao Inferno Verde" e "O Martelo Vingador" sagas típicas da nossa região.

Em correspondência trocada entre Cândido Carvalho Guerra  e o autor do "Dicionário de Sabedoria dos Piauenses", José Antônio da Silva, ele agradece o recebimento da publicação e a inclusão de verbetes da sua lavra. Desta correspondência, extraio o recorte sobre as citações dele para futura reedição do Dicionário. As expressões sugeridas, bem ao seu feitio, são: Arte, Instrução e Educação, Literatura Natureza e Dinheiro, Caráter e Amor.

Ao Criador, nossas preces para o acolhimento e o descanso eterno da alma de Cândido Guerra.


terça-feira, 18 de abril de 2017

Aqui é Gérson, votando em você, Raul.


O pleito municipal de Monte Alegre no ano de 1976 apresentou uma novidade já quase esquecida desde os idos de 1962: a campanha apresentava dois candidatos e, desta vez, na eram da Arena 1 e Arena 2. O MDB, recém-fundado na cidade, tinha candidato próprio. A nova sigla absorveu um número considerável de eleitores, até então, fiéis a “renovação” proposta pela Arena.
Além disso, a unificação das facções da Arena foi motivo de desconforto para muitos. A formação das chapas foi motivo de muita discussão, conchavos  e desagrados. Cada  chapa procurava contar com “os bons de votos” concorrendo a uma vaga na Câmara Municipal e somando votos para a eleição de prefeito. Alguns candidatos já tinham cadeira quase cativa na assembleia.
Raul Ribeiro Soares era um deles. Quase que sem esforço renovava o mandato a cada quatro anos. Já nos últimos dias de campanha foi juntamente com o candidato a prefeito Abílio Rocha e a tropa de choque a um comício em São Dimas. Ao final do comício foram todos fazer uma avaliação do ato e “limpar a guela” no bar de Gerson Vilarindo. Depois de alguns rabos-de-galo – a cerveja não era tanta, Raul questionou Gerson sobre a possibilidade de ter o seu voto.
De cara, Gerson deu todas as garantias de que estava fechado com Raul, porém, fez questão de lembrar que no pleito passado Raul não lhe dera o voto. Na volta para Monte Alegre, os oito passageiros enlatados como sardinha no jipe de Ady Guerra, comentavam sobre o comício e Raul disse que não acreditava que Gerson fosse votar nele.
O certo é que a conversa vazou. O resultado? Durante a apuração dos votos na sede da Prefeitura de Gilbués um voto chamou a atenção de todos que se aglomeravam com lápis e papel fazendo contas.  Para Vereador: Raul e no rodapé da cédula: “Aqui é Gerson votando em você, Raul”.
O Juiz declara:
 - Voto nulo!


Texto publicado originalmente no livro Chegou hoje? Quando volta?  1ª edição, 2014, Oliveira, Pedro Paulo Tavares.