terça-feira, 2 de agosto de 2011

Divisão territorial do Estado do Piauí: necessária e urgente.




Este tema tem início ainda no Século XIX e é recorrente em praticamente todas as legislaturas do Congresso Nacional. É bem verdade que ações concretas só aconteceram com o primeiro mapa do Estado do Gurguéia, conseqüência do discurso do então deputado federal pelo Piauí, Jesualdo Cavalcanti, no ano de 1990, em Sessão do Congresso Nacional.
A partir daí o tema ganhou força e popularidade resultando no Projeto de Decreto Legislativo nº 439/1994. Diversos parlamentares na Câmara e no Senado Federal têm contribuído para o aperfeiçoamento do projeto e a conscientização de seus pares no sentido de aprová-lo. 
Acredito, como a maioria dos nascidos, habitantes ou não, sulpiauiense, que a hora da independência amiga se aproxima.
Abaixo, transcrevo da página do CEDEG – Centro de Estudos e Debates do Gurguéia (http://www.gurgueia.org.br/),  a  exortação em Cordel de Raimundo Casé à divisão do Estado do Piauí.

O Estado do Gurgueia - Em Literatura de Cordel.
Autor: Raimundo Cazé

Quando alguém numa família
Se casa e vai embora
Ganha essa mesma família
Um novo braço lá fora
Torna-se mais conhecida
E sua sorte melhora

Se numerosa a família
Com os filhos todos casando
É certa a prosperidade
Pois vai se multiplicando
Fato que é comprovado
Quando os filhos vão chegando

Com base nesse fenômeno
Da vida familiar
Devo dizer aos leitores
Sem ter medo de errar
A divisão de um estado
É uma conta de somar

Não interessa saber
De onde veio a ideia
De dividir o Estado
Com a criação do Gurgueia
O importante é ganhar
Mais abelha na colmeia
Vive o sul do Piauí
Por governos esquecido
Sem ter como progredir
Ponta de um corpo comprido
De onde nunca se escutam
Seu grito, riso ou gemido

Essa parte do estado
Vivendo assim esquecida
Tem o direito sagrado
De ter sua própria vida
Basta só que um plebiscito
Lhe autorize a partida

Autorizada por lei
A divisão do Estado
Teremos rachado, eu sei
Um território emperrado
E que dividido ao meio
Ficará mais respeitado

Do territário de origem
Nada será retirado
O novo estado já nasce
Como seu forte aliado
Acolhendo a mão de obra
Do pobre desempregado


O novo estado a surgir
Não tem capital erguida
Onde quer que seja a sede
Terá que ser construída
Nascerá gerando emprego
E novas chances de vida

Dará mais chances ao jovem
Formado ou em formação
Novas oportunidades
Na área de Educação
Novos cursos e concursos
Para qualquer profissão

Terá você no futuro
O orgulho de ter dado
Independência ao Gurgueia
E seus irmãos aliados
Que traçarão seu destino
Depois de emancipados

Quem sabe se o novo estado
Não será sua morada
Quando a parte de origem
Estiver congestionada?
Tudo na vida é possível
Deus não faz a coisa errada!


Votando pelo Gurgueia
Você não age no escuro
Existem muitos exemplos
De passo firme e seguro
Basta ver o Tocantins
Ter alcançado o futuro

Veja quantos municípios
O Piauí tem criado
E mostre ao menos um
Que não tenha prosperado
Toda emancipação
Trás sempre bom resultado

Não devemos reprimir
O desejo de um povo
Quem mora no Piauí
E quer um estado novo
Não se dá por satisfeito
Pisando em casca de ovo

Viver no sul do Estado
Sem ter nenhuma assistência
� eleger governantes
Sem exercer influência
Como quem não participa
Por falta de competência


Se você não conhece o sul
Sinta-se então convidado
A visitar suas terras
Sua lavoura, seu gado
Sua gente laboriosa
Trabalhando no pesado

Veja o que falta por lá
Em matéria de assistência
Seja na agricultura
Na saúde ou na ciência
E veré gente dotada
De amor e persistência

Pra crescer e prosperar
Hoje o sul do Piauí
Precisa se emancipar
E ter como decidir
Não há outra solução
Não adianta insistir

Tem que haver independência
Governo próprio e capaz
De enfrentar a concorrência
Seguir sem olhar pra trás
Agindo com competência
Ganhando e querendo mais


O estado do Gurgueia
Só depende de você
Com seu voto independente
Para ajudá-lo a nascer
Faça isso e assista
O novo estado crescer
             
Não negue apoio a quem sonha
Com o desenvolvimento
E precisa de autonomia
Esse importante instrumento
Que alavanca o progresso
Em todo e qualquer momento

Vote sim e se orgulhe
Do estado que vai surgir
Ele será seu vizinho
Se lá não for residir
Depois diga: eu fiz nascer
Um filho do Piauí.

Esse filho saberá
O seu voto agradecer
Acolherá em seu seio
Sua família e você
No trabalho ou moradia
E até mesmo no lazer.
            FIM


quinta-feira, 7 de julho de 2011

Desembargador do TJSP reverte decisão de Juiz que negara Justiça Gratuita

A decisão do desembargador José Luiz Palma Bisson, do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, proferida em um Recurso de Agravo de Instrumento reformando despacho de um Juiz da cidade de Marília, que havia negado o benefício da Justiça Gratuita (assegurada pela Lei nº 1.060/50, àqueles desprovidos de condições financeiras para pagar as custas do processo judicial), ao filho menor de um marceneiro morto por atropelamento é emocionante e humanística. A ação inicial pleiteava indenização por pensão no valor de um salário mínimo contra o autor do atropelamento mais danos morais pelo falecimento do pai.
O benefício da Justiça Gratuita foi negado pelo magistrado alegando não ter o autor apresentado prova de pobreza e, também, por estar representado no processo por "advogado particular".
Abaixo, a íntegra do voto do desembargador que deveria doravante ser objeto de debates nas escolas formadoras de Homens do Direito:  


“É o relatório. 
Que sorte a sua, menino, depois do azar de perder o pai e ter sido vitimado por um filho de coração duro - ou sem ele -, com o indeferimento da gratuidade que você perseguia. Um dedo de sorte apenas, é verdade, mas de sorte rara, que a loteria do distribuidor, perversa por natureza, não costuma proporcionar. Fez caber a mim, com efeito, filho de marceneiro como você, a missão de reavaliar a sua fortuna.

Aquela para mim maior, aliás, pelo meu pai - por Deus ainda vivente e trabalhador - legada, olha-me agora. É uma plaina manual feita por ele em paubrasil, e que, aparentemente enfeitando o meu gabinete de trabalho, a rigor diuturnamente avisa quem sou, de onde vim e com que cuidado extremo, cuidado de artesão marceneiro, devo tratar as pessoas que me vêm a julgamento disfarçados de autos processuais, tantos são os que nestes vêem apenas papel repetido. É uma plaina que faz lembrar, sobretudo, meus caros dias de menino, em que trabalhei com meu pai e tantos outros marceneiros como ele, derretendo cola coqueiro - que nem existe mais - num velho fogão a gravetos que nunca faltavam na oficina de marcenaria em que cresci; fogão cheiroso da queima da madeira e do pão com manteiga, ali tostado no paralelo da faina menina.
 
Desde esses dias, que você menino desafortunadamente não terá, eu hauri a certeza de que os marceneiros não são ricos não, de dinheiro ao menos. São os marceneiros nesta Terra até hoje, menino saiba, como aquele José, pai do menino Deus, que até o julgador singular deveria saber quem é.
 
O seu pai, menino, desses marceneiros era. Foi atropelado na volta a pé do trabalho, o que, nesses dias em que qualquer um é motorizado, já é sinal de pobreza bastante. E se tornava para descansar em casa posta no Conjunto Habitacional Monte Castelo, no castelo somente em nome habitava, sinal de pobreza exuberante.
Claro como a luz, igualmente, é o fato de que você, menino, no pedir pensão de apenas um salário mínimo, pede não mais que para comer. Logo, para quem quer e consegue ver nas aplainadas entrelinhas da sua vida, o que você nela tem de sobra, menino, é a fome não saciada dos pobres.
 
Por conseguinte um deles é, e não deixa de sê-lo, saiba mais uma vez, nem por estar contando com defensor particular. O ser filho de marceneiro me ensinou inclusive a não ver nesse detalhe um sinal de riqueza do cliente; antes e ao revés a nele divisar um gesto de pureza do causídico. Tantas, deveras, foram as causas pobres que patrocinei quando advogava, em troca quase sempre de nada, ou, em certa feita, como me lembro com a boca cheia d'água, de um prato de alvas balas de coco, verba honorária em riqueza jamais superada pelo lúdico e inesquecível prazer que me proporcionou.
 
Ademais, onde está escrito que pobre que se preza deve procurar somente os advogados dos pobres para defendê-lo? Quiçá no livro grosso dos preconceitos...
Enfim, menino, tudo isso é para dizer que você merece sim a gratuidade, em razão da pobreza que, no seu caso, grita a plenos pulmões para quem quer e consegue ouvir.
Fica este seu agravo de instrumento então provido; mantida fica, agora com ares de definitiva, a antecipação da tutela recursal.
 
É como marceneiro que voto.
JOSÉ LUIZ PALMA BISSON - Relator Sorteado”

sexta-feira, 17 de junho de 2011

A força dos pequenos

Os grandes jornais vêm perdendo terreno ano após ano para os jornais conhecidos como populares. E essa perda se reflete na tiragem dos chamados grandes, tais como Folha de São Paulo, O Globo, Correio Braziliense e O Estado de São Paulo. Juntos, vendiam, em 2000, em torno de um milhão e quatrocentos mil exemplares por dia em todo o País; atualmente, vendem cerca de 780 mil exemplares diários. A retração em uma década é quase à metade. Por outro lado, os jornais populares com circulação de segunda a sábado – poucos circulam aos domingos – aumentaram as suas vendas e, conseqüentemente, seus círculos de leitores, chegando perto dos dois milhões de exemplares.
E o porquê desse crescimento?
Alguns aspectos caracterizam os jornais populares: o formato, o baixo preço de capa e/ou a distribuição gratuita, as notícias, a prestação de serviços, o fato de não terem carteira de assinantes, a quantidade de páginas por edição e, finalmente, a forma de distribuição.
Em Belo Horizonte o jornal Super Notícias é exemplo da força do jornal popular. Vende cerca de 300 mil exemplares por dia. Em Brasília o jornal Coletivo, de distribuição gratuita, circula no final do dia no metrô e nos ônibus que saem da Rodoviária do Plano Piloto rumo às cidades-satélites e à região do Entorno, com tiragem diária de noventa mil exemplares, de acordo com o Anuário de Mídia.
A política de Comunicação do Governo Federal a partir de 2007, então sob o comando do jornalista Franklin Martins, dispensou tratamento diferenciado aos jornais populares e regionais. Os repórteres desses veículos passaram a receber informações na fonte, ou seja, foi criada uma agenda para atendê-los. O resultado foi uma maior divulgação das ações e dos programas do Governo, popularizando o acesso à informação aos diversos segmentos sociais.
Fraser Bond, em Introdução ao Jornalismo (Ágil, 1960) afirma que, além dos chamados valores-notícia, há um fator latente na produção de uma notícia que requer atenção especial: a proximidade. Às vezes, um acontecimento do outro lado da rua tem mais impacto na rotina do cidadão se comparado a um terremoto no Oriente, por exemplo.
Para o jornalista José Edmar Gomes, editor dos jornais comunitários O Movimento (Paracatu/MG) e Folha da Serra (Sobradinho/DF), “...o anseio do povo existe por notícias mais populares e menos populistas”. 
Estas afirmações justificam, mais ainda, o crescimento dos considerados pequenos. A notícia do fato próxima de quem a lê.

sábado, 4 de junho de 2011

Opção contra a violência

Este artigo foi publicado em 2004 nos jornais Folha da Serra (Sobradinho-DF) e O Movimento (Paracatu-MG).  Mesmo depois de decorridos sete anos da publicação original continua atualíssimo. Reproduzo aqui mantendo a grafia corrente à época.

Opção contra a violência
Jorge Luiz Alencar Guerra


A violência deixa a sua marca mesmo o País não estando em guerra. Brasília ostenta, entre outros títulos, o de cidade com alto índice de violência. Embora, repudiado por todos os moradores não há como negar que a cidade concorre com outras metrópoles do País para fazer jus ao título.
Crimes bárbaros são cometidos tendo por motivação fúteis argumentos.
A cidade, pela sua dinâmica e seu traçado urbanístico, foi planejada para propiciar ao morador e ao visitante uma qualidade de vida superior à media das outras metrópoles. Tudo deveria funcionar, de acordo com a natureza do negócio, em áreas previamente estabelecidas. A zorra dos grandes centros não poderia ocorrer aqui. Não poderia! Mas, a necessidade de mão-de-obra no segmento da prestação de serviços, fez com que a cidade sofresse inchaço e vazasse para além dos limites predeterminados na sua concepção. Isso motivou a migração desenfreada  de outras regiões e a acolhida sem planejamento ou visão de futuro. Os resultados saltam aos olhos de quem aqui chega.
A cidade possui uma das maiores rendas per captas do País e ao mesmo tempo concentra bolsões de miséria e qualidades subumanas no seu entorno. Soma-se a isso os crimes hediondos que são praticados nas barbas dos poderes distrital e federal.
A população do Plano Piloto e das cidades-satélites convive com tráfico de drogas, assaltos, seqüestros, estupros e confronto entre gangues, como se cada cidadão fosse responsável pela sua segurança e da própria família, ou seja, no popular “cada um por si e Deus por todos”.  
Brasília também lidera as estatísticas de crimes cometidos por gangues. Gangues formadas por adolescentes e jovens de classe média alta, contrapondo com as gangues de outros centros, que se formam principalmente nas periferias.  
Em Brasília diversão pode ser prenúncio de confusão. A segurança dos eventos, feita por empresas contratadas, deixa a desejar. A truculência e o despreparo dos “seguranças”, motivando agressões pesadas aos jovens freqüentadores desses eventos,  despontam nas delegacias com alto grau registro de ocorrências. Porém, quase sempre, ocorrências que não são apuradas porque não se sabe nada sobre o agressor e a empresa de segurança não detém registros dos contratados free lancer. 
Morre aí a intenção de punir a agressão vil e covarde!
As boates inauguradas com grande pompa prosperam por pouco tempo. Logo, logo, passam a ser territórios de gangues de bad boys que, usando da truculência, arrastam para a pista de dança garotas acompanhadas, humilhando e agredindo quem as acompanha. 
Os pais, ilhados entre a violência incontida das ruas e os prazeres dos filhos, investem pesado para “prendê-los” em casa. Adquirem desde os sofisticados equipamentos de jogos eletrônicos até computadores de alta performance equipados com câmera de áudio e vídeo, HD compatível com as necessidades de troca de arquivos em diversas mídias, gravador de CD’s e outras  parafernálias até então somente disponíveis para os  seguimentos profissionais do mercado.
O jovem de hoje “conversa” com o mundo através da rede mundial de computadores. Não há mais lugares desconhecidos, não há mais fronteiras, tudo está a uma distância de um simples clic.
A violência contribuiu decisivamente para que os jovens de hoje prefiram a reclusão doméstica aos prazeres próprios da idade, abrindo mão do convívio social e optando pelo convívio virtual.
Triste da juventude que tem que abdicar de seus prazeres para resguardar-se das mazelas da violência.
            A violência não é só um problema social é, antes de tudo, um problema cultural de um povo que não acredita nas propostas emanadas de seus governantes para que possam pôr fim ou, ao menos, coibi-la.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Ensaio sobre a "inguinorança" dos puristas hipócritas

Entendo como indispensável à compreensão do assunto a leitura do texto do professor Alexandre Costa. Regionalismos à parte, não há como deixar de exaltar o texto e seu autor.

Ensaio sobre a inguinorança dos puristas hipócritas
Alexandre Costa(*)

A recente polêmica sobre a aprovação do MEC à distribuição de um livro que incentivaria os “erros de português” tem mais “equívocos” do que aqueles que possam ser encontrados na obra em foco. A ignorância sobre a questão passa pela absoluta desinformação sobre o que seria, de fato, “erro”, “gramática” e “uso” e mesmo a tal “unidade da língua nacional”.
Assim, por exemplo, quando a obra afirma que seja possível falar “os livro” ou “nós pega os peixe”, não estaria, em princípio, incentivando que as pessoas comentam “erros”, mas assumindo um fato que é cientificamente provado há décadas pela linguística brasileira. Todos, absolutamente, todos os falantes da língua portuguesa brasileira cometem tais “erros” na fala, todos os dias, muitas vezes por dia, e em grande quantidade. Nos dois exemplos, há erros de concordância apenas, e somente de concordância de número.
As línguas são redundantes, ou seja, todas as línguas têm a propriedade de repetir elementos formais e semânticos para compensar o “ruído” que possa dificultar a comunicação. É por isso que qualquer falante do português encontrará a marca do plural nas frases seguintes:
1.       As casas verdes são maiores
2.       As casas verde são maiores
3.       As casa verde são maiores
4.       As casa verde são maior
5.       As casa verde é maior
Nenhum falante eliminará a marca de plural do artigo e algumas das frases são menos produtivas, quer dizer, mais improváveis, sobretudo a de número 3. O uso da língua funciona de modo complexo e regular e nenhum dos exemplos é mais complexo do que o outro, são apenas diferentes. A ideia de que uma determinada variedade idiomática seja melhor do que outra é milenar e advém da identificação da língua oral à língua escrita, com privilégio para a segunda. Esse fenômeno tem a ver com uso da escrita para o registro de textos sagrados e legais, ou seja, diz respeito ao valor simbólico dos discursos religiosos, políticos e jurídicos, cujos efeitos se impregnaram na língua escrita.
No entanto, em todas as épocas e em todos os lugares “uma língua” sempre funciona, na realidade, como “várias línguas”. No nosso caso brasileiro, por exemplo, e de modo muito simplificado, o português que nos chegou foi resultado da variação diacrônica do galego que também passa pelo espanhol, em um complexo de variedades cujas origens e estabilidades não cabem nesta discussão. Aqui já estavam os povos indígenas e, durante séculos, foram faladas em nosso território as chamadas línguas gerais: misturas de várias línguas indígenas e de variedades do português de Portugal. Depois vieram os escravos e migrantes, e a língua portuguesa do Brasil nunca foi e nunca será a de Portugal (aliás, é a língua portuguesa de Portugal que tem ficado mais “brasileira” pela influência da mídia...).
Até bem pouco tempo, insistia-se na colocação pronominal portuguesa em detrimento da brasileira. Hoje em dia, basta assistir televisão para ver que nem mesmo no Jornal Nacional isso permanece como regra. Seus repórteres dizem cotidianamente “Me contaram”, “Nos informaram”, “O prenderam” e ninguém, absolutamente ninguém, escreve cartas ou artigos sobre a recorrência dos “erros de colocação pronominal” na mídia.
Um “erro grave” é sempre o “erro do outro”. Em Goiânia, se escuta “nós vai” com tanta frequência como se ouvirá, em Porto Alegre, “tu fez”. Mas não se escreve assim nos jornais de ambas as cidades (ainda que se fale assim nas rádios, eventualmente). Isso é um fato. Outra coisa, bem diferente, é o modo como a escola deve tratar a relação entre a língua escrita e a língua falada no processo de aprendizagem da comunicação pública e, sobretudo, no estudo da ciência e da cultura.
A modalidade oral é anterior na nossa formação social. Aprendemos a falar interagindo com a família e com o mundo ao redor. Aprendemos a falar agindo, e nenhum pai, em sã consciência, fica corrigindo os “erros” de português de seu filho nos seus primeiros anos. Haverá, claro, aquele que passará a fazê-lo mais tarde, sem perceber que comete os mesmos erros de vez em quando. Corrigir o português do outro é uma perversidade atávica que todos herdamos de nossa origem colonial: há um prazer maldoso em subjugar a fala do outro. Bastaria que os pais falassem do modo que julgam correto e que fossem amados e admirados por seus filhos para que fossem imitados por eles. (Mas disso não se quer falar;  voltemos à escola e aos livros).
No processo de formação escolar, os estudantes têm de conhecer e aprender a usar a língua padrão escrita para ter acesso aos já citados discursos privilegiados da cultura, da religião e da ciência: ponto. Isso já está posto em nossos currículos desde a publicação dos Parâmetros Curriculares Nacionais, cuja formulação envolveu estudiosos de todos os cantos do país e já está por aí há mais de uma década. Mas a correção gramatical não é o primeiro nem o mais importante fator para a aprendizagem da língua padrão. Antes de aprenderemos a “não errar” precisamos aprender a “acertar”.
Os estudantes necessitam de motivos para estudar. O acesso à leitura e à escrita deve dar-se em atividades significativas cujo valor os leve gradualmente ao mundo adulto e público. Nenhum adolescente vai interessar-se por um texto machadiano se nunca refletiu sobre si mesmo; nenhum estudante vai gostar de ler Grande sertão: veredas, se não refletiu sobre a beleza da variação linguística. Além disso, para aprender a ler e a escrever é preciso aprender a falar e a escutar. Mas não “corretamente” apenas: é preciso aprender a falar, escutar, ler e escrever “atentamente”, sobretudo (Mas isso purismo oportunista não quer discutir...).
A correção gramatical só é relevante quando vem por último: primeiro, é preciso falar muito, escutar muito, ler muito e escrever muito; depois, é preciso refletir sobre os modos e os sentidos de toda essa atividade linguística, e suas possibilidades de expressão; e só mais tarde haverá razão para “dar nomes aos bois” e usar a metalinguagem gramatical como ferramenta para a aprendizagem da língua padrão. Sim, a aprendizagem gramatical é importante. Aliás, seu valor é mais relativo à lógica e à estrutura da linguagem e do conhecimento do que à mera “correção linguística”. Ninguém precisa estudar gramática para aprender a falar ou a escrever corretamente: basta ouvir e ler e consultar os dicionários – e decorar... É isso que a maioria dos “campeões da correção linguística” faz: decoram. Apesar de honrosas exceções, de fato, não sabem gramática nem como tradição nem como ciência. Suas apostilas, na maioria dos casos, são cópias de boas gramáticas tradicionais (e quem duvide disso, faça-me o favor de cotejar...).
Enfim, aceitar que se fale ou que se escreva com “erros” – ou melhor, com padrões de concordância da fala, neste caso – não significa que se deva deixar de, em algum momento, e de modo produtivo e adequado, ensinar a variedade padrão escrita e a oralidade letrada padrão. Aprender a usar a língua e a conhecer o mundo da cultura que nela se encontra e se constitui é algo muito mais complexo do que questões de ortografia ou concordância. E isso é fácil demais de aprender quando vale a pena estudar geografia, história, biologia, química, física, literatura, cinema etc.
A “grande polêmica” sobre o tal “incentivo ao erro de português” aprovado pelo MEC só impressiona a quem não conhece os verdadeiros problemas da educação brasileira. Os mais ferozes e vorazes debatedores, via de regra, nunca pisaram numa escola pública de periferia. Mais do que desinformado, esse debate é hipócrita.
A linguagem é a peça-chave do processo educativo e envolve questões, problemas e métodos absurdamente mais complexos do que esse tipo de debate enseja. Nesta segunda-feira, vá à escola do seu filho (pública ou privada) e pergunte aos professores, coordenadores e diretores sobre o planejamento interdisciplinar e transversal da escola. Se a disciplina de língua portuguesa não estiver no centro dessas atividades, caso elas existirem, é sinal de que seu dinheiro está sendo mal aplicado, ou pior: significa que seu filho está perdendo os melhores anos de sua vida com atividades burocráticas e emburrecedoras. Agora, se você já é adulto e quer aprender gramática, compre uma e estude. Depois tente matricular-se num cursinho e veja quantas aula suporta.
Não há nada, enfim, a criticar na obra aprovada pelo MEC, pelo menos com relação às críticas feitas. Se existe algum problema a ser debatido é o fato de alguns formadores de opinião divulgarem e promoverem a desinformação.

(*) O autor é professor adjunto da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Goiás. Doutor em Linguística Aplicada pela Unicamp, trabalha com as disciplinas de estágio e de letramento na formação de professores de português.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Um motivo a mais

Sou e estou muito feliz!
SOU TRICOLOR DE CORAÇÃO.
Também pudera!
O meu Fluminense, mais uma vez, contraria todos os prognósticos e com uma mística única e indissociável avança na Copa Libertadores de América. Avança contrariando interesses da mídia singular que não consegue mostrar nada além do óbvio. E o que seria o óbvio nesta peleja? O óbvio, amigos, seria o Fluminense naufragar, se não fosse o Fluminense e sua torcida um TIME DE GUERREIROS. Guerreiros que não abandonam a raia enquanto dela não possam sair com dignidade e com a honra lavada.
Não pude assistir à partida, pois estou na fazenda e só tenho acesso aos canais abertos da parabólica. No mesmo horário o time da massa global enfrentava o poderoso Horizonte-CE pela Copa do Brasil e, pasmem, pelas oitavas de final; e o confronto decisivo do Grupo 3 da Libertadores ficara em segundo plano. Optei por desligar a televisão e marcar o tempo de jogo. Desta forma, somente voltei a ligar a TV no final do jogo do time da Globo. Melhor assim, pois pude ouvir Ananias e Miné contarem proezas sobre a lida na fazenda.
Quando liguei novamente a TV o lance do pênalti no Edinho estava no ar e aí se iniciou um processo de taquicardia. Diga-se de passagem, taquicardia boa!
O locutor global informava que o Fluminense poderia assegurar a classificação, se marcasse de pênalti, pois o outro jogo do grupo já estava encerrado e o placar era favorável ao Fluminense.
Esperei por Fred. Esperei que o matador fizesse a sua parte. E ele, de forma CRUEL (para o adversário) correspondeu a minha confiança e mandou um balaço no alto. Típico gol de raça, de raiva, de compromisso.
Comemorei sozinho. Pulei, gritei e agradeci a João de Deus.
Queremos mais, muito mais, TIME DE GUERREIROS!


Sou e estou muito feliz!
SOU TRICOLOR DE CORAÇÃO.
Também pudera!
O meu Fluminense, mais uma vez, contraria todos os prognósticos e com uma mística única e indissociável avança na Copa Libertadores de América. Avança contrariando interesses da mídia singular que não consegue mostrar nada além do óbvio. E o que seria o óbvio nesta peleja? O óbvio, amigos, seria o Fluminense naufragar, se não fosse o Fluminense e sua torcida um TIME DE GUERREIROS. Guerreiros que não abandonam a raia enquanto dela não possam sair com dignidade e com a honra lavada.
Não pude assistir à partida, pois estou na fazenda e só tenho acesso aos canais abertos da parabólica. No mesmo horário o time da massa global enfrentava o poderoso Horizonte-CE pela Copa do Brasil e, pasmem, pelas oitavas de final; e o confronto decisivo do Grupo 3 da Libertadores ficara em segundo plano. Optei por desligar a televisão e marcar o tempo de jogo. Desta forma, somente voltei a ligar a TV no final do jogo do time da Globo. Melhor assim, pois pude ouvir Ananias e Miné contarem proezas sobre a lida na fazenda.
Quando liguei novamente a TV o lance do pênalti no Edinho estava no ar e aí se iniciou um processo de taquicardia. Diga-se de passagem, taquicardia boa!
O locutor global informava que o Fluminense poderia assegurar a classificação, se marcasse de pênalti, pois o outro jogo do grupo já estava encerrado e o placar era favorável ao Fluminense.
Esperei por Fred. Esperei que o matador fizesse a sua parte. E ele, de forma CRUEL (para o adversário) correspondeu a minha confiança e mandou um balaço no alto. Típico gol de raça, de raiva, de compromisso.
Comemorei sozinho. Pulei, gritei e agradeci a João de Deus.
Queremos mais, muito mais, TIME DE GUERREIROS!