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segunda-feira, 9 de março de 2015

QUIZUMBA, ÉTICA E REBORDOSA (*)

Nestes tempos de quizumba política os noticiários falam exaustivamente sobre ética. Principalmente, sobre a ética política – princípios; comissões etc.
Sobre ética, estou com aqueles que entendem que não se aprende na escola, mas em casa. Certamente, que a escola direciona o aluno para que possa avaliar suas ações em relação ao contexto social. Valores morais e princípios compõem a ética e norteiam a conduta do homem na sociedade em que vive.
No caso do político, representante do povo, não deveria haver dúvidas quanto à moral e o respeito às leis e à sociedade. Não deveria, mas há! E muitas!
Não há pretensão alguma de imaginar que as casas parlamentares sejam formadas apenas pelo “trigo” daqueles vocacionados à representação popular. Sempre haverá o “joio” a misturar-se ao “trigo” fazendo-o, de maneira paulatina, perder a credibilidade e, consequentemente, o respeito dos seus representados.
Agora, com a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobrás a rebordosa tornou-se mais evidente em relação à sua composição. Dos 27 membros da CPI, pelo menos 15 receberam doações nas últimas eleições das empresas investigadas na operação Lava Jato. O presidente da CPI, Hugo Motta, parlamentar paraibano do PMDB, recebeu míseros R$ 454 milhões das empresas Andrade Gutierrez e Odebrecht. E não fica só nisto. O relator, parlamentar carioca do PT, abocanhou para sua campanha a bagatela de R$ 962 milhões das construtoras Queiroz Galvão, UTC, OAS e Toyo Setal, apenas para exemplificar.
Hugo Motta (PMDB-PB) mamou R$ 454 mi, mas preside a Comissão de Ética Foto: Flickr/PMDB Nacional
Hugo Motta (PMDB-PB) mamou R$ 454 milhões, mas preside a Comissão de Ética
Foto: Flickr/PMDB Nacional
Diante destes fatos, a CPI continua ou não os seus trabalhos com a atual composição?
Cabe ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados se posicionar na aplicação do Código de Ética que, na “letra fria”, proíbe que o parlamentar “relate matéria submetida à apreciação da Câmara, de interesse específico de pessoa física ou jurídica que tenha contribuído para o financiamento de sua campanha eleitoral”. Durmam com esta!
A punição prevista para a situação pode ser a perda do mandato. Mas jamais acontecerá. Balela pura.
Afinal, como aplicar as medidas previstas no Código de Ética se grande parte dos representantes do povo vive sob a suspeição de quebra do decoro e da ética?
E a nós, meros mortais – responsáveis pelo voto na composição do Parlamento – resta-nos conferir o preço do chuchu e sobreviver.
(*) Publicado também no radarbrasilia.com

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

The Independent


Former guerrilla Dilma Rousseff set to be the world's most powerful woman
(Ex-guerrilheira Dilma Rousseff definida para ser a mulher mais poderosa do mundo)
Brazil looks likely to elect an extraordinary leader next weekend
(Brasil parece estar pronto para eleger um líder extraordinário na próxima semana)


   Com a manchete e o título acima (com tradução apenas para entendimento) o jornal britânico The Independent em sua versão online publicou no final do mês de setembro uma reportagem sobre a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, de autoria do jornalista Hugh O'Shaughnessy (há 40 anos escreve sobre assuntos da América Latina).

   O jornalista se referiu a ela como uma "ex-guerrilheira prestes a se tornar a mulher mais poderosa do mundo".

   "Como líder de Estado, a presidenta Dilma Rousseff superaria Angela Merkel, chanceler da Alemanha, e Hillary Clinton, secretária do Estado dos Estados Unidos: seu enorme país de 200 milhões de pessoas está festejando sua nova riqueza em petróleo", diz o texto. "A taxa de crescimento do Brasil, rivalizando com China, pode ser apenas invejada pela Europa e por Washington".

   A reportagem lembra o passado da candidata do PT na luta contra o estado de exceção vivido pelo Brasil durante a ditadura militar, período em que sofreu tortura e participou de guerrilha. Lembra, ainda, que Dilma se beneficia da estabilidade econômica vivida pelo País e dos grandes índices de popularidade do Presidente Lula.

   Nem mesmo os recentes fatos divulgados sobre irregularidades praticadas por assessores próximos conseguiram prejudicar a sua campanha.

    Segundo o Independent caso seja eleita no próximo dia 3 de outubro a petista será saudada por milhões e marcará o fim de um "estado de segurança nacional", um "acordo que os governos conservadores dos Estados Unidos e da Europa uma vez viram como o melhor artifício para limitar a democracia", mantendo boa parte da América Latina na pobreza, enquanto favorecia os países ricos."

   Este tipo de reportagem demonstra o quanto o Brasil avançou nas relações internacionais e caminha para se consolidar como potência mundial.

   Deixemos de lado o nosso complexo vira-latas e caminhemos firmes rumo a um futuro mais justo e promissor.