sexta-feira, 17 de junho de 2011

A força dos pequenos

Os grandes jornais vêm perdendo terreno ano após ano para os jornais conhecidos como populares. E essa perda se reflete na tiragem dos chamados grandes, tais como Folha de São Paulo, O Globo, Correio Braziliense e O Estado de São Paulo. Juntos, vendiam, em 2000, em torno de um milhão e quatrocentos mil exemplares por dia em todo o País; atualmente, vendem cerca de 780 mil exemplares diários. A retração em uma década é quase à metade. Por outro lado, os jornais populares com circulação de segunda a sábado – poucos circulam aos domingos – aumentaram as suas vendas e, conseqüentemente, seus círculos de leitores, chegando perto dos dois milhões de exemplares.
E o porquê desse crescimento?
Alguns aspectos caracterizam os jornais populares: o formato, o baixo preço de capa e/ou a distribuição gratuita, as notícias, a prestação de serviços, o fato de não terem carteira de assinantes, a quantidade de páginas por edição e, finalmente, a forma de distribuição.
Em Belo Horizonte o jornal Super Notícias é exemplo da força do jornal popular. Vende cerca de 300 mil exemplares por dia. Em Brasília o jornal Coletivo, de distribuição gratuita, circula no final do dia no metrô e nos ônibus que saem da Rodoviária do Plano Piloto rumo às cidades-satélites e à região do Entorno, com tiragem diária de noventa mil exemplares, de acordo com o Anuário de Mídia.
A política de Comunicação do Governo Federal a partir de 2007, então sob o comando do jornalista Franklin Martins, dispensou tratamento diferenciado aos jornais populares e regionais. Os repórteres desses veículos passaram a receber informações na fonte, ou seja, foi criada uma agenda para atendê-los. O resultado foi uma maior divulgação das ações e dos programas do Governo, popularizando o acesso à informação aos diversos segmentos sociais.
Fraser Bond, em Introdução ao Jornalismo (Ágil, 1960) afirma que, além dos chamados valores-notícia, há um fator latente na produção de uma notícia que requer atenção especial: a proximidade. Às vezes, um acontecimento do outro lado da rua tem mais impacto na rotina do cidadão se comparado a um terremoto no Oriente, por exemplo.
Para o jornalista José Edmar Gomes, editor dos jornais comunitários O Movimento (Paracatu/MG) e Folha da Serra (Sobradinho/DF), “...o anseio do povo existe por notícias mais populares e menos populistas”. 
Estas afirmações justificam, mais ainda, o crescimento dos considerados pequenos. A notícia do fato próxima de quem a lê.

sábado, 4 de junho de 2011

Opção contra a violência

Este artigo foi publicado em 2004 nos jornais Folha da Serra (Sobradinho-DF) e O Movimento (Paracatu-MG).  Mesmo depois de decorridos sete anos da publicação original continua atualíssimo. Reproduzo aqui mantendo a grafia corrente à época.

Opção contra a violência
Jorge Luiz Alencar Guerra


A violência deixa a sua marca mesmo o País não estando em guerra. Brasília ostenta, entre outros títulos, o de cidade com alto índice de violência. Embora, repudiado por todos os moradores não há como negar que a cidade concorre com outras metrópoles do País para fazer jus ao título.
Crimes bárbaros são cometidos tendo por motivação fúteis argumentos.
A cidade, pela sua dinâmica e seu traçado urbanístico, foi planejada para propiciar ao morador e ao visitante uma qualidade de vida superior à media das outras metrópoles. Tudo deveria funcionar, de acordo com a natureza do negócio, em áreas previamente estabelecidas. A zorra dos grandes centros não poderia ocorrer aqui. Não poderia! Mas, a necessidade de mão-de-obra no segmento da prestação de serviços, fez com que a cidade sofresse inchaço e vazasse para além dos limites predeterminados na sua concepção. Isso motivou a migração desenfreada  de outras regiões e a acolhida sem planejamento ou visão de futuro. Os resultados saltam aos olhos de quem aqui chega.
A cidade possui uma das maiores rendas per captas do País e ao mesmo tempo concentra bolsões de miséria e qualidades subumanas no seu entorno. Soma-se a isso os crimes hediondos que são praticados nas barbas dos poderes distrital e federal.
A população do Plano Piloto e das cidades-satélites convive com tráfico de drogas, assaltos, seqüestros, estupros e confronto entre gangues, como se cada cidadão fosse responsável pela sua segurança e da própria família, ou seja, no popular “cada um por si e Deus por todos”.  
Brasília também lidera as estatísticas de crimes cometidos por gangues. Gangues formadas por adolescentes e jovens de classe média alta, contrapondo com as gangues de outros centros, que se formam principalmente nas periferias.  
Em Brasília diversão pode ser prenúncio de confusão. A segurança dos eventos, feita por empresas contratadas, deixa a desejar. A truculência e o despreparo dos “seguranças”, motivando agressões pesadas aos jovens freqüentadores desses eventos,  despontam nas delegacias com alto grau registro de ocorrências. Porém, quase sempre, ocorrências que não são apuradas porque não se sabe nada sobre o agressor e a empresa de segurança não detém registros dos contratados free lancer. 
Morre aí a intenção de punir a agressão vil e covarde!
As boates inauguradas com grande pompa prosperam por pouco tempo. Logo, logo, passam a ser territórios de gangues de bad boys que, usando da truculência, arrastam para a pista de dança garotas acompanhadas, humilhando e agredindo quem as acompanha. 
Os pais, ilhados entre a violência incontida das ruas e os prazeres dos filhos, investem pesado para “prendê-los” em casa. Adquirem desde os sofisticados equipamentos de jogos eletrônicos até computadores de alta performance equipados com câmera de áudio e vídeo, HD compatível com as necessidades de troca de arquivos em diversas mídias, gravador de CD’s e outras  parafernálias até então somente disponíveis para os  seguimentos profissionais do mercado.
O jovem de hoje “conversa” com o mundo através da rede mundial de computadores. Não há mais lugares desconhecidos, não há mais fronteiras, tudo está a uma distância de um simples clic.
A violência contribuiu decisivamente para que os jovens de hoje prefiram a reclusão doméstica aos prazeres próprios da idade, abrindo mão do convívio social e optando pelo convívio virtual.
Triste da juventude que tem que abdicar de seus prazeres para resguardar-se das mazelas da violência.
            A violência não é só um problema social é, antes de tudo, um problema cultural de um povo que não acredita nas propostas emanadas de seus governantes para que possam pôr fim ou, ao menos, coibi-la.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Ensaio sobre a "inguinorança" dos puristas hipócritas

Entendo como indispensável à compreensão do assunto a leitura do texto do professor Alexandre Costa. Regionalismos à parte, não há como deixar de exaltar o texto e seu autor.

Ensaio sobre a inguinorança dos puristas hipócritas
Alexandre Costa(*)

A recente polêmica sobre a aprovação do MEC à distribuição de um livro que incentivaria os “erros de português” tem mais “equívocos” do que aqueles que possam ser encontrados na obra em foco. A ignorância sobre a questão passa pela absoluta desinformação sobre o que seria, de fato, “erro”, “gramática” e “uso” e mesmo a tal “unidade da língua nacional”.
Assim, por exemplo, quando a obra afirma que seja possível falar “os livro” ou “nós pega os peixe”, não estaria, em princípio, incentivando que as pessoas comentam “erros”, mas assumindo um fato que é cientificamente provado há décadas pela linguística brasileira. Todos, absolutamente, todos os falantes da língua portuguesa brasileira cometem tais “erros” na fala, todos os dias, muitas vezes por dia, e em grande quantidade. Nos dois exemplos, há erros de concordância apenas, e somente de concordância de número.
As línguas são redundantes, ou seja, todas as línguas têm a propriedade de repetir elementos formais e semânticos para compensar o “ruído” que possa dificultar a comunicação. É por isso que qualquer falante do português encontrará a marca do plural nas frases seguintes:
1.       As casas verdes são maiores
2.       As casas verde são maiores
3.       As casa verde são maiores
4.       As casa verde são maior
5.       As casa verde é maior
Nenhum falante eliminará a marca de plural do artigo e algumas das frases são menos produtivas, quer dizer, mais improváveis, sobretudo a de número 3. O uso da língua funciona de modo complexo e regular e nenhum dos exemplos é mais complexo do que o outro, são apenas diferentes. A ideia de que uma determinada variedade idiomática seja melhor do que outra é milenar e advém da identificação da língua oral à língua escrita, com privilégio para a segunda. Esse fenômeno tem a ver com uso da escrita para o registro de textos sagrados e legais, ou seja, diz respeito ao valor simbólico dos discursos religiosos, políticos e jurídicos, cujos efeitos se impregnaram na língua escrita.
No entanto, em todas as épocas e em todos os lugares “uma língua” sempre funciona, na realidade, como “várias línguas”. No nosso caso brasileiro, por exemplo, e de modo muito simplificado, o português que nos chegou foi resultado da variação diacrônica do galego que também passa pelo espanhol, em um complexo de variedades cujas origens e estabilidades não cabem nesta discussão. Aqui já estavam os povos indígenas e, durante séculos, foram faladas em nosso território as chamadas línguas gerais: misturas de várias línguas indígenas e de variedades do português de Portugal. Depois vieram os escravos e migrantes, e a língua portuguesa do Brasil nunca foi e nunca será a de Portugal (aliás, é a língua portuguesa de Portugal que tem ficado mais “brasileira” pela influência da mídia...).
Até bem pouco tempo, insistia-se na colocação pronominal portuguesa em detrimento da brasileira. Hoje em dia, basta assistir televisão para ver que nem mesmo no Jornal Nacional isso permanece como regra. Seus repórteres dizem cotidianamente “Me contaram”, “Nos informaram”, “O prenderam” e ninguém, absolutamente ninguém, escreve cartas ou artigos sobre a recorrência dos “erros de colocação pronominal” na mídia.
Um “erro grave” é sempre o “erro do outro”. Em Goiânia, se escuta “nós vai” com tanta frequência como se ouvirá, em Porto Alegre, “tu fez”. Mas não se escreve assim nos jornais de ambas as cidades (ainda que se fale assim nas rádios, eventualmente). Isso é um fato. Outra coisa, bem diferente, é o modo como a escola deve tratar a relação entre a língua escrita e a língua falada no processo de aprendizagem da comunicação pública e, sobretudo, no estudo da ciência e da cultura.
A modalidade oral é anterior na nossa formação social. Aprendemos a falar interagindo com a família e com o mundo ao redor. Aprendemos a falar agindo, e nenhum pai, em sã consciência, fica corrigindo os “erros” de português de seu filho nos seus primeiros anos. Haverá, claro, aquele que passará a fazê-lo mais tarde, sem perceber que comete os mesmos erros de vez em quando. Corrigir o português do outro é uma perversidade atávica que todos herdamos de nossa origem colonial: há um prazer maldoso em subjugar a fala do outro. Bastaria que os pais falassem do modo que julgam correto e que fossem amados e admirados por seus filhos para que fossem imitados por eles. (Mas disso não se quer falar;  voltemos à escola e aos livros).
No processo de formação escolar, os estudantes têm de conhecer e aprender a usar a língua padrão escrita para ter acesso aos já citados discursos privilegiados da cultura, da religião e da ciência: ponto. Isso já está posto em nossos currículos desde a publicação dos Parâmetros Curriculares Nacionais, cuja formulação envolveu estudiosos de todos os cantos do país e já está por aí há mais de uma década. Mas a correção gramatical não é o primeiro nem o mais importante fator para a aprendizagem da língua padrão. Antes de aprenderemos a “não errar” precisamos aprender a “acertar”.
Os estudantes necessitam de motivos para estudar. O acesso à leitura e à escrita deve dar-se em atividades significativas cujo valor os leve gradualmente ao mundo adulto e público. Nenhum adolescente vai interessar-se por um texto machadiano se nunca refletiu sobre si mesmo; nenhum estudante vai gostar de ler Grande sertão: veredas, se não refletiu sobre a beleza da variação linguística. Além disso, para aprender a ler e a escrever é preciso aprender a falar e a escutar. Mas não “corretamente” apenas: é preciso aprender a falar, escutar, ler e escrever “atentamente”, sobretudo (Mas isso purismo oportunista não quer discutir...).
A correção gramatical só é relevante quando vem por último: primeiro, é preciso falar muito, escutar muito, ler muito e escrever muito; depois, é preciso refletir sobre os modos e os sentidos de toda essa atividade linguística, e suas possibilidades de expressão; e só mais tarde haverá razão para “dar nomes aos bois” e usar a metalinguagem gramatical como ferramenta para a aprendizagem da língua padrão. Sim, a aprendizagem gramatical é importante. Aliás, seu valor é mais relativo à lógica e à estrutura da linguagem e do conhecimento do que à mera “correção linguística”. Ninguém precisa estudar gramática para aprender a falar ou a escrever corretamente: basta ouvir e ler e consultar os dicionários – e decorar... É isso que a maioria dos “campeões da correção linguística” faz: decoram. Apesar de honrosas exceções, de fato, não sabem gramática nem como tradição nem como ciência. Suas apostilas, na maioria dos casos, são cópias de boas gramáticas tradicionais (e quem duvide disso, faça-me o favor de cotejar...).
Enfim, aceitar que se fale ou que se escreva com “erros” – ou melhor, com padrões de concordância da fala, neste caso – não significa que se deva deixar de, em algum momento, e de modo produtivo e adequado, ensinar a variedade padrão escrita e a oralidade letrada padrão. Aprender a usar a língua e a conhecer o mundo da cultura que nela se encontra e se constitui é algo muito mais complexo do que questões de ortografia ou concordância. E isso é fácil demais de aprender quando vale a pena estudar geografia, história, biologia, química, física, literatura, cinema etc.
A “grande polêmica” sobre o tal “incentivo ao erro de português” aprovado pelo MEC só impressiona a quem não conhece os verdadeiros problemas da educação brasileira. Os mais ferozes e vorazes debatedores, via de regra, nunca pisaram numa escola pública de periferia. Mais do que desinformado, esse debate é hipócrita.
A linguagem é a peça-chave do processo educativo e envolve questões, problemas e métodos absurdamente mais complexos do que esse tipo de debate enseja. Nesta segunda-feira, vá à escola do seu filho (pública ou privada) e pergunte aos professores, coordenadores e diretores sobre o planejamento interdisciplinar e transversal da escola. Se a disciplina de língua portuguesa não estiver no centro dessas atividades, caso elas existirem, é sinal de que seu dinheiro está sendo mal aplicado, ou pior: significa que seu filho está perdendo os melhores anos de sua vida com atividades burocráticas e emburrecedoras. Agora, se você já é adulto e quer aprender gramática, compre uma e estude. Depois tente matricular-se num cursinho e veja quantas aula suporta.
Não há nada, enfim, a criticar na obra aprovada pelo MEC, pelo menos com relação às críticas feitas. Se existe algum problema a ser debatido é o fato de alguns formadores de opinião divulgarem e promoverem a desinformação.

(*) O autor é professor adjunto da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Goiás. Doutor em Linguística Aplicada pela Unicamp, trabalha com as disciplinas de estágio e de letramento na formação de professores de português.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Um motivo a mais

Sou e estou muito feliz!
SOU TRICOLOR DE CORAÇÃO.
Também pudera!
O meu Fluminense, mais uma vez, contraria todos os prognósticos e com uma mística única e indissociável avança na Copa Libertadores de América. Avança contrariando interesses da mídia singular que não consegue mostrar nada além do óbvio. E o que seria o óbvio nesta peleja? O óbvio, amigos, seria o Fluminense naufragar, se não fosse o Fluminense e sua torcida um TIME DE GUERREIROS. Guerreiros que não abandonam a raia enquanto dela não possam sair com dignidade e com a honra lavada.
Não pude assistir à partida, pois estou na fazenda e só tenho acesso aos canais abertos da parabólica. No mesmo horário o time da massa global enfrentava o poderoso Horizonte-CE pela Copa do Brasil e, pasmem, pelas oitavas de final; e o confronto decisivo do Grupo 3 da Libertadores ficara em segundo plano. Optei por desligar a televisão e marcar o tempo de jogo. Desta forma, somente voltei a ligar a TV no final do jogo do time da Globo. Melhor assim, pois pude ouvir Ananias e Miné contarem proezas sobre a lida na fazenda.
Quando liguei novamente a TV o lance do pênalti no Edinho estava no ar e aí se iniciou um processo de taquicardia. Diga-se de passagem, taquicardia boa!
O locutor global informava que o Fluminense poderia assegurar a classificação, se marcasse de pênalti, pois o outro jogo do grupo já estava encerrado e o placar era favorável ao Fluminense.
Esperei por Fred. Esperei que o matador fizesse a sua parte. E ele, de forma CRUEL (para o adversário) correspondeu a minha confiança e mandou um balaço no alto. Típico gol de raça, de raiva, de compromisso.
Comemorei sozinho. Pulei, gritei e agradeci a João de Deus.
Queremos mais, muito mais, TIME DE GUERREIROS!


Sou e estou muito feliz!
SOU TRICOLOR DE CORAÇÃO.
Também pudera!
O meu Fluminense, mais uma vez, contraria todos os prognósticos e com uma mística única e indissociável avança na Copa Libertadores de América. Avança contrariando interesses da mídia singular que não consegue mostrar nada além do óbvio. E o que seria o óbvio nesta peleja? O óbvio, amigos, seria o Fluminense naufragar, se não fosse o Fluminense e sua torcida um TIME DE GUERREIROS. Guerreiros que não abandonam a raia enquanto dela não possam sair com dignidade e com a honra lavada.
Não pude assistir à partida, pois estou na fazenda e só tenho acesso aos canais abertos da parabólica. No mesmo horário o time da massa global enfrentava o poderoso Horizonte-CE pela Copa do Brasil e, pasmem, pelas oitavas de final; e o confronto decisivo do Grupo 3 da Libertadores ficara em segundo plano. Optei por desligar a televisão e marcar o tempo de jogo. Desta forma, somente voltei a ligar a TV no final do jogo do time da Globo. Melhor assim, pois pude ouvir Ananias e Miné contarem proezas sobre a lida na fazenda.
Quando liguei novamente a TV o lance do pênalti no Edinho estava no ar e aí se iniciou um processo de taquicardia. Diga-se de passagem, taquicardia boa!
O locutor global informava que o Fluminense poderia assegurar a classificação, se marcasse de pênalti, pois o outro jogo do grupo já estava encerrado e o placar era favorável ao Fluminense.
Esperei por Fred. Esperei que o matador fizesse a sua parte. E ele, de forma CRUEL (para o adversário) correspondeu a minha confiança e mandou um balaço no alto. Típico gol de raça, de raiva, de compromisso.
Comemorei sozinho. Pulei, gritei e agradeci a João de Deus.
Queremos mais, muito mais, TIME DE GUERREIROS!


sábado, 29 de janeiro de 2011

Centenário de Nascimento de Nina (Eunice -Guerra- Lemos Rosal)


A publicação abaixo tem caráter pessoal e familiar. A crônica, especialmente escrita pela ocasião do centenário de nascimento – comemorado pos mortem – de Eunice -Guerra- Lemos Rosal, a Nina, narra a simples e ao mesmo tempo fabulosa trajetória da fantástica mulher que completaria 100 anos no último 13 de janeiro.

Aos leitores, desejo uma viagem completa em uma crônica com ares de fábula que descreve, de maneira resumida porém sublime, uma brilhante história de vida.

Daniel Guerra

 

Centenário de Nascimento de Nina (Eunice -Guerra- Lemos Rosal)

13 de janeiro de 2011

 

Por Jorge Luiz Alencar Guerra

Eunice

O ano de 1911 começara para o casal Joaquim e Eleutéria não muito diferente daqueles dois últimos após o casamento, exceto pela expectativa da chegada de mais um filho.
As noites quentes e o céu carregado de nuvens levavam todos a imaginar que seria um ano de bom inverno, como é chamada a estação chuvosa na região. De vez em quando a lua crescente enciumada do tempo fechado, teimava em despejar clarões iluminando a grande lagoa do Boqueirão e fazendo correr uma brisa que subia do rio Gurguéia para a Casa Grande.
Os preparativos para a chegada do segundo filho do casal Joaquim e Eleutéria eram intensos.  Os panos e cueiros já estavam lavados, passados e guardados em um baú reservado para este fim; as mezinhas e os ungüentos depositados sobre a mesa no canto do quarto; a despensa reforçada por mantas de carne seca de um boi malabar pasteiro nos baixões do Sítio. A qualquer hora começariam os sinais do iminente parto.
E, para não fugir à regra, tudo começou no meio da noite do dia 12 de janeiro, após uma chuva intensa entrecortada por lânguidos relâmpagos e preguiçosos trovões. Os primeiros clarões do dia 13 de janeiro já permitiam a visualização do horizonte na região do nascente quando o choro forte e estridente anunciou o nascimento da criança. Logo a notícia espalhou-se pela Casa Grande e pelas áreas de servidão: nascera uma menina e a ela foi dado o nome de Eunice. Com o passar dos anos, apesar de mirrada, demonstrava uma personalidade forte e um alto senso de aglutinação.
Em 1935 casou-se na fazenda Boqueirão, com Milton Rosal, fixando residência em Nova Lapa, hoje Cristino Castro. Ali nasceram os dois primeiros de um total de oito filhos do casal.
Coube a Eunice a missão de tomar posse e edificar benfeitorias na área de terra desmembrada no extremo norte da fazenda Boqueirão. Assim nascia a fazenda Estreito, que para todos nós vai da lúdica infância ao inevitável vôo com as próprias asas como se pássaros fossemos.

Nina

Quis o destino que Eunice, já mãe de Joaquim, com sua peculiar hospitalidade recebesse em sua casa a afilhada Maria Eunice que por não conseguir chamá-la de madrinha, pela tenra idade, chamou-a de Nina.
Esse tratamento carinhoso foi seguido primeiramente pelo filho Joaquim e pela sobrinha Tancy.  E depois, a eles se seguiram os filhos, as noras, os genros, os sobrinhos, os netos, os amigos.
Nina, que significa menina graciosa, tornou-se identidade e referência.
Apesar de ser mãe de oito filhos e de ter criado muitos outros, Nina não foi chamada de mãe. Coube a Fabrício, filho de Celso, ousar e ter o privilégio de ser o primeiro neto a chamá-la de Vó Nina.
Viúva aos 37 anos se viu obrigada a manter a família assumindo todo o serviço da roça, orientada pelos irmãos os quais a tinham como referência e faziam do seu casarão o porto seguro após a lida diária. A relação entre ela e os irmãos era tão intensa que Celso Guerra passou a dormir na porta de seu quarto desde a morte prematura de Milton.
Nina desafiou e venceu obstáculos com tenacidade e temperança, e deixou uma marca indelével como a de gerir o funcionamento de um engenho de cana-de-açúcar produzindo mel, rapadura, batidas e cachaça que contribuíam para o sustento da família e para manutenção da propriedade.
           Os desafios surgiam, pondo à prova a perseverança de Nina. Não bastassem as preocupações com os filhos, com os aderentes, com a casa, com o gado, com as criações e, ainda, surgia o imponderável como a testá-la. Certa feita , as roças que ficavam em frente à casa e que serviam de manejo para os rebanhos, do nada, começaram a pegar fogo. Nina, de forma beligerante, pediu ajuda aos homens para fazer um aceiro na tentativa de isolar o fogo.  Invocou a ajuda de Deus para que o fogo fosse controlado e no seu íntimo e com a sua simplicidade fez uma promessa: se o fogo não queimasse as roças, iria a pé, na companhia da inseparável amiga Alice Chaves e do compadre Ananias Borges, a São Benedito, distante 12 léguas (cerca de 72 km). Fogo controlado, promessa paga.
Aconselhada pelo primo Samuel Guerra que a visitava, Nina pensou grande e mesmo com o coração apertado e a saudade dilacerando o peito fez sair os filhos, a partir de Joaquim, em busca de estudos já não disponíveis na região. Aceitava a saudade da separação e a falta de notícias mas não relutava em ser enérgica na determinação de que os seus filhos deveriam ser doutores. A nenhum foi dada a obrigação de que deveria cuidar da fazenda. O saber estava acima de tudo.
            Exímia costureira de calças, calções e ceroulas, Nina teve colocada à prova a sua habilidade manual ao intervir de forma positiva em procedimento cirúrgico salvando a vida de Anísio, um de seus filhos de criação, que durante uma festa fora esfaqueado e teve o intestino perfurado. A técnica e os instrumentos usados no procedimento demonstraram toda a habilidade de Nina. Com uma faca esterilizada no fogo do álcool aumentou a incisão para que pudesse suturar com agulhas de costura os dois furos. Usando azeite-de-doce e tição de lenha aqueceu o intestino fazendo com que o mesmo retornasse à cavidade abdominal e, posteriormente, procedeu à sutura do tecido utilizando linha e agulha comuns. Como não dispunha de mais recursos achou por bem despachar um positivo a Gilbués para falar com o Dr. Paulo, médico da cidade, que imediatamente recomendou o uso da penicilina, à época, recém descoberta. Para conservar o medicamento foi usada a técnica de imersão em uma bacia com areia molhada e com a água renovada periodicamente para manter a temperatura. Uma vida foi salva pela disposição, iniciativa e força de mulher sertaneja representada ali por Nina. Mais uma vez, contou com a ajuda do compadre e sempre presente Ananias Borges. 
           No Piauí, especificamente na beira rio do médio Gurguéia, Nina foi muito mais que uma mulher. Foi conselheira, foi médica, foi modista, foi amiga, foi mãe de um sem número de meninos e meninas que o destino levou à sua casa. Para mim, foi a tábua de salvação e a providência sábia para que eu aqui hoje estivesse. Não fosse ela, certamente, eu teria ficado sob os cuidados de alguém que não teria o desvelo e a perseverança para que eu sobrevivesse à ausência de minha mãe, que por motivo de doença foi afastada do meu convívio. Durante os meus primeiros seis meses de vida ela cuidou para que não me faltasse o leite. Sem medir esforços e enfrentando as intempéries da ocasião levava-me para que mãe Deja, mãe de Neuzita, pudesse amamentar-me. Na falta de leite humano improvisava o leite de jumenta e o de cabra. O importante era saciar a fome e prover a vida.
O nascimento dos netos, excetuando os de mãe Milce, marca o início do afastamento de Nina da fazenda Estreito e, por conseqüência, um vazio na vida dos que com ela viviam e conviviam.
Mas nem mesmo o tempo pode impedi-la de aprender. Ávida e curiosa, com tempo de sobra para observar, foi aprender com a neta Belaura a arte de fazer crochê, tornando-se crocheteira refinada.
Faltava-lhe, ainda, algo para completar a sua rica experiência de vida. E o que lhe faltava era ninar a sua terceira geração. E para a sua graça os bisnetos vieram em abundância na primazia de Rebecca.
Em 4 de agosto de 1993, Nina foi chamada a desempenhar outra missão. Desta feita, junto ao Criador que, certamente, estava necessitado de uma guerreira com experiência e sensibilidade para ninar aqueles que eram chamados de volta à casa do Pai.
Brasília, 29 de janeiro de 2011

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Uma paixão em três cores

Reproduzo este texto que representa a paixão de um torcedor brasileiro. Muitas vezes os louros do seu time de coração são os seus louros e servem de afirmação para a vida. A paixão pelo futebol para o brasileiro é completamente diferente do que se vê em outros continentes. Aqui o ídolo do time nasce para o torcedor, por vezes, quando se faz carrasco do time de coração. No caso, uma verdade. Conca impressionou aos tricolores quando atuava no Universidade Católica do Chile e enfrentou o Fluminense pela Sulamericana.  
Daniel Guerra(*)
Muitos já vestiram a camisa do Fluminense, muitos brilharam pela seleção brasileira e pela de seus respectivos países, mas o ídolo da minha geração tem um nome: DARÍO LEONARDO CONCA. Que me desculpem Marcão, Thiago Silva, Renato Gaúcho, Romário, Thiago Neves... Idolatria eu tenho por CONCA.
Estou muito mexido com a possibilidade de um título brasileiro (para mim, inédito), principalmente depois de tudo o que o Fluminense - o delineador de águas da minha vida - fez uma nação apaixonada de 9 milhões de pessoas passar: entre sucessivos rebaixamentos, vergonhas nacionais, uma virada de mesa antidesportiva, títulos sem muita expressão e títulos internacionais batendo na trave, a dor do "quase" sempre esteve presente. De 2008 pra cá, um cara descreve bem o que é ser guerreiro e suar sangue pelo time da melhor e mais bonita torcida do mundo: Conca.
No dia 5 de dezembro, se Deus quiser, o universo vai conspirar contra tudo o que tentar tirar esse título das Laranjeiras. Estou preparado se ele não vier; não estou é pro caso de vir. Essa taça vai confirmar a escolha que eu verdadeiramente fiz aos 11 aninhos de idade, quando optei ir para a escola com a camisa do meu querido Flu mesmo um dia após meu Clube ter caído para a Série C do Campeonato Brasileiro; quando saí do Maracanã no dia 2 de julho de 2008 cantando o hino após perder a Libertadores e vendo crianças dos meus mesmos 11 anos de 'outro dia' cantando; quando saí do mesmo Maracanã no dia 2 de dezembro de 2009, agora achando que seria campeão, mas de novo esbarrando na trave, agora da Sulamericana.
O que começou com 99% de chances de dar errado ano passado, tem 99% de chance de dar certo esse ano!
Que o mundo não quer, eu entendo. Pra eles, ser Fluminense é demais, além...
Eu quero, eu posso e EU VOU SER CAMPEÃO!
1970  1984   2010
SEREMOS CAMPEÕES!
(*)Daniel Guerra é jornalista,  tricolor de coração e "torcedor doente" do Fluminense.