sexta-feira, 8 de julho de 2016

O tiro pela culatra

Lula Marques AGPT
Poderá ser mortal para o governo do presidente interino Michel Temer o tiro pela culatra na tentativa, por debaixo dos panos, de salvar o mandato do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) aos costurar acordo para a renúncia dele da presidência da Câmara dos Deputados.

Cunha é hoje o que de pior há na vida política brasileira. Negociador ardiloso, político temeroso, com requintes exacerbados de vingança, e colecionador de escândalos, poderá voltar sua bazuca para o Planalto, caso não consiga safar-se da cassação do mandato em Plenário. Os nós arrocham sufocando suas defesas e minando suas forças.

Caso Cunha não consiga manter o mandato estará aberta a temporada “dedo no gatilho” com ele atirando em todas as direções. E mesmo para quem puder, vai ser difícil se salvar. Tiros à esquerda tendem a ricochetear para o centrão que aninha a grande maioria do Congresso Nacional. E aí é que mora o perigo para o Planalto, que segundo o jornal O Globo, edição de hoje, 8 de julho, noticia que o acordo para a renúncia de Cunha da presidência da Câmara teve o aval de Temer e do PMDB.

Lula Marques AGPT
Deste acordo noticiado pelo jornal O Globo resultará a absolvição ou a cassação de Cunha. A primeira possibilidade será uma lástima para o governo interino de Temer,  uma Casa legislativa sem credibilidade e jogando para debaixo do tapete as denúncias e os escândalos de corrupção. A simples cassação de Cunha poderá repercutir nos pilares de sustentação do governo Temer. Afinal, é imprescindível considerar, o cassado será ninguém menos do que Cunha. A partir daí, será um vale-tudo em se tratando de denúncias, críveis ou não, de fatos e personagens congressistas e palacianos.

O governo Temer não consegue alcançar vôo de cruzeiro. Paira sem conseguir alcançar altitude suficiente para aprovar medidas necessárias e urgentes que permitam ao País a volta ao patamar de crescimento. Quando consegue engrenar uma arrancada não a mantém por avaria em um dos componentes da estrutura de governo, tendo como causa o envolvimento em negociações e participações ilícitas.

Assim, a crise político-econômica tende a se agravar e o buraco a aprofundar.
Lula Marques AGPT
Um País de políticos sujos e povo que não desiste, nunca. É este o Brasil!


terça-feira, 17 de maio de 2016

Como o romance de Maria José Dupré, éramos seis.

Sábado, 23 de abril, pouco depois das sete horas da manhã, incorporei-me ao grupo que havia saído de Sobradinho – Arival, Belizário, Deusvaldo, Jesumar e Roberthson, e tinha como primeiro destino a cidade de Diamantina, em Minas Gerais. De lá, outros destinos seriam escolhidos desde que neles estivesse a cidade de Serro.  Motivo: meus primos Belizário (Júnior) e Roberthson (Berão) iriam tentar identificar troncos da família Ávila para saber um pouco mais do seu avô paterno José de Ávila que migrara muito jovem para a região de garimpos do médio São Francisco na Bahia, onde constituiu família. Ahhh... a visita a cidade de Serro também estava pautada para aquisição de queijos diversos produzidos ali. Outra certeza ao começar a viagem era que eu, Júnior e Berão, iriamos até o Piauí. Uma Toyota Prado e uma L 200 nos carregariam do planalto central às montanhas de Minas com a esticada ao Piauí.
O primeiro bate-papo do grupo foi em Cristalina, parada estratégica para um cafezinho e discussão sobre o almoço.  Apesar da resistência de Arival, venceu a sugestão de comermos uma peixada de Surubim no Restaurante Beira Rio, em Três Marias, às margens do Velho Chico. Independente da apresentação do prato, o mestre Arival estava com a razão. O peixe não foi o que esperávamos.
Causou estranheza a todos a quantidade de pedágio no trecho de Brasília ao trevo para Curvelo. Cinco ao todo, a R$ 4,60 cada, e muito pouca pista duplicada. Coisas do Brasil!
Chegamos a Diamantina ao anoitecer e a temperatura, àquela hora, na casa dos 20° indicava que o frio iria apertar mais tarde. Para nós, sedentos por uma bebidinha, isso era fator de menos importância. Noite fechada, guiados pela Prado de Arival tendo como co-piloto Jesumar – já habitués das plagas diamantinenses – chegamos à Praça da Matriz de Santo Antônio, após percorrer um beco em que só é possível passar com carros médios recolhendo os retrovisores externos. Ali, bem próximo, por toda a Rua da Quitanda, mesas apinhadas de pessoas que degustavam petiscos e pratos da terra acompanhados de vinhos, cervejas e doses da legítima cachaça mineira, aguardando a Vesperata, um evento musical da cidade que tem datas definidas de abril a outubro. A música, o casario colonial e a iluminação em formato de lampiões nos remetem a rememorar a história do Brasil, fatos e personagens dela. Certamente, que não esquecemos Juscelino Kubistchek, o filho mais ilustre da cidade.

Pela manhã voltamos ao centro histórico de Diamantina para fotografias e incursões em becos e ladeiras. Em uma das vielas encontramos um café da manhã comunitário e muito folclore regional. 

Na noite anterior tinha ficado resolvido que o nosso próximo destino seria Serra do Cipó. Pegamos a estrada rumo à Cordilheira do Espinhaço. Logo no início da viagem, uma placa indicava a nascente do Jequitinhonha. Da serra para o mar. Trechos de asfalto e terra compõem grande parte do trajeto até Conceição de Mato Dentro entrecortado pela Estrada Real (Diamantina-MG a Paraty-RJ), destinada ao escoamento da produção de ouro e diamantes.

Passava do meio-dia quando chegamos à Serra do Cipó. Cidadezinha com clima de montanha e opções de ecoturismo. Depois de um rápido almoço fomos nos instalar na Pousada Prata Serra do Cipó. Aproveitando a área de lazer e a cerveja gelada, ficamos até o escurecer em um bate-papo de diversos e inesgotáveis assuntos. À noite, o grupo, desfalcado de Deusvaldo que ficara “descansando” na pousada, foi até o centro comercial da cidade a procura de cerveja gelada. Para nossa surpresa o barzinho que escolhemos sugeriu, como opção, chope da Brahma. Certamente, ao sairmos, um barril ficou vazio.
Dia seguinte, logo depois do café da manhã, iniciamos a subida da serra com destino a Serro e uma parada programada, para aquisição de linguiça caipira, em Conceição de Mato Dentro. O estômago já reclamava a ausência de um grude quando chegamos ao nosso destino.

De cara, logo ao entrar na cidade, identifiquei uma placa em um estabelecimento que poderia por fim à busca de Júnior e Berão sobre seus antepassados. A placa indicava um boteco com o nome da família. Marquei o local para uma visita.
Paramos no Restaurante Dodóia e Júnior que oferece comidas caseiras típicas da cozinha mineira. A entrada da refeição principal é a base de queijos diversos produzidos no município acompanhados de uma legítima cachaça mineira, para os apreciadores. Depois de uma exagerada refeição, na verdade sem preocupações como as taxas do hemograma, fomos conhecer a Pousada da D. Tuca, uma sugestão econômica de Denise Guerra baseada em pesquisas na internet. Considerando o benefício da pousada, o custo estava de bom tamanho.
Devidamente instalados deixamos o local para conhecer a cidade, suas igrejas e outras construções coloniais. Depois das visitas ao Pelourinho, às igrejas de Nossa Senhora do Carmo e de Santa Rita, esta com seus 57 degraus longos, fomos até o Butiquim J. Ávila matar a sede. Ali, entre uma cerveja e uma explicação, ficou evidente que a busca de Berão e Júnior por seus ancestrais não é uma tarefa fácil, haja vista que em todos os ramos da família Ávila há um José para homenagear o patriarca do casal português que se instalou no Serro. Diante do fato resolvemos retornar à pousada com o intuito de encomendarmos uma galinha caipira para o jantar. A encomenda foi prontamente aceita por D. Tuca, porém, com uma advertência: “galinha não é problema, pois tenho e mato, mas não faço.” Imediatamente, e de forma uníssona, todos disseram: “Berão faz”.  E fez! Jantamos e nos recolhemos para fugir do friozinho cortante.

Pela manhã, fomos direto à Cooperativa em busca dos queijos. Queijos e sabores para todos os gostos. As encomendas e as compras de cada um terminaram por encher três grandes caixas térmicas que ocuparam quase todo o bagageiro da Prado, inclusive as minhas compras, as de Berão e as de Júnior, uma vez que de Serro nós iríamos para o Piauí rumando para o norte de Minas. Após as despedidas pegamos a estrada. Arival, Deusvaldo e Jesumar retornando a Brasília e nós seguindo o traçado inicialmente acertado.
Na primeira hora de viagem um barulho na cabine da L 200 começou a ser notado. O barulho era como se fosse provocado pelo contato de um plástico duro com outro ou com metal e minha impressão era que vinha do painel frontal mais especificamente do aparelho multimídia. Berão concordava. Júnior receoso de que fosse algo com o conjunto de direção estava apreensivo. Paramos em uma oficina em Diamantina, mas logo por consenso resolvemos seguir viagem até a oficina autorizada Mitsubishi, em Montes Claros. Chegamos por volta de meio-dia. Demos entrada no veículo e saímos para almoçar. Na volta o consultor técnico informou que o carro passaria por um recall na fechadura do capô e seria providenciada a avaliação da reclamação. O recall foi realizado e o carro devolvido sem que tenha sido identificado nenhum barulho. Melhor assim. Júnior deixou a oficina com o ego massageado pela resposta do consultor técnico e do mecânico a uma solicitação de avaliação informal sobre o estado do veículo: notas 9,5 e 9,0, respectivamente.
Como ficamos parados mais de três horas, chegamos à Janaúba ao cair da noite. Como não conhecíamos a estrada resolvemos procurar um hotel para pernoite. A cidade de Janaúba destaca-se pela produção de frutas tropicais, especialmente a banana, e pelo abate diário de 800 bovinos destinados à exportação para a Europa, Ásia e Oriente Médio. Pegamos novamente a estrada tendo como referência a cidade de Cocos, na Bahia. Depois de viajar cerca de uma hora passamos pela cidade de Jaíba, que detém um dos maiores projetos de irrigação com águas do São Francisco, resultado de uma parceria entre o governo federal e o governo do estado de Minas, para produção frutícola, olerícola e outras culturas tradicionais. Logo adiante chegamos às margens do São Francisco. Majestoso e exuberante se deixa cortar por balsas usadas para travessias de pessoas, veículos leves e pesados. Do outro lado a cidade de Manga. Ao saber que havia feira no mercado Berão exigiu uma visita para aquisição de feijão, farinha e temperos básicos. Após as aquisições, voltamos a pegar a BR-135 – terra, bico de pedra, poeira e um pouco de excelente asfalto.
Mas ainda faltava o inusitado!


      Ao passar sobre a ponte do rio Carinhanha, divisa dos estados de Minas Gerais e Bahia, fomos surpreendidos pelo fim da estrada, literalmente. Após a ponte, sem nenhum aviso nos dois quilômetros que a antecedem, havia uma cerca. Uma cerca de arame farpado! Uma armadilha irresponsável patrocinada por órgãos governamentais a quem competem o projeto, a construção, a sinalização e a conservação das rodovias. Ficamos a imaginar àquela situação à noite, com visão limitada. Coisas do Brasil!

Voltamos cerca de um quilômetro até um trevo que dá acesso a uma corrutela que se liga a Cocos na Bahia por meio de estrada típica para carros de boi ou carroças e, hoje, muito bem vencida pelas inúmeras motocicletas da região. 

 Do nada, como uma miragem, ao final de uma descida em curva, surge uma ponte de madeira sobre um curso d’água impressionantemente límpido e transparente. Ao passar sobre a ponte Júnior perguntou a mim e Berão: estamos com pressa? A resposta, óbvia: de maneira nenhuma. Vamos parar. Paramos o tempo suficiente para que não passássemos de Barreiras-BA naquela noite. Ou seja, paramos mais tempo do que devíamos parar. Instalados em uma mesa rústica à beira do rio Itaguari, nas sombras de árvores frondosas, pedimos um almoço básico e o regamos com loiras geladíssimas.  Tínhamos que seguir viagem, afinal ainda nos faltava vencer cerca de 800 km até o nosso destino, as fazendas Estreito e São Jorge.

Chegamos a Barreiras-BA, por volta de 19 horas, para nosso último pernoite antes de chegar ao Piauí. Saímos cedinho e antes das 11 horas já estávamos aboletados no Bar do Mário em Monte Alegre bebendo cerveja, jogando conversa fora e preparando a matula líquida com vasilhames emprestados pelo dono do bar.
Nas fazendas foram cinco dias de comilanças e muita cerveja. Algumas providências acertadas e retornamos a Brasília após dez dias da nossa saída e 4.000 km percorridos.

Vai ter mais! Ora, se vai!

sexta-feira, 22 de abril de 2016

JORGE GUERRA OPTA PELA PAZ DA APOSENTADORIA

O meu blog  funciona, também, como um caderno eletrônico para apontamentos e registros para a posteridade. Agora, ao alcançar o topo do aclive da vida profissional ainda pretendo percorrer muito tempo na reta antes do declive natural da vida terrena, seja ela profissional ou pessoal.
Este excelente texto do meu amigo Pedro Paulo Tavares de Oliveira, PP para os amigos, reminiscente e especial para mim, com depoimentos de amigos que me levaram ao envaidecimento e a supor que realmente o meu tempo de servidor público dedicado à Imprensa Nacional foi importante para o órgão e para as pessoas. Assim, e como não poderia deixar de ser, o texto não pode ficar restrito à divulgação interna na Imprensa Nacional, razão pela qual, eu como personagem central, o disponibilizo neste espaço para que outros amigos possam com ele se deleitar. 

Nota: Nos depoimentos torno público o texto de PP quando do encaminhamento da mensagem eletrônica para meu e-mail particular.



20 de abril de 2016
SERVIDOR
JORGE GUERRA OPTA PELA PAZ DA APOSENTADORIA

Após 35 anos de dedicação praticamente exclusiva à linha de jornais, o servidor Jorge Luiz Alencar Guerra despede-se da Imprensa Nacional sem pressa para encarar os novos desafios, como convém a esse novo momento da vida. Porém, ele já adianta os planos de desbotar bermudas e camisetas, gastar o solado do chinelo, consumir o cartão de memória da sua inseparável câmera fotográfica Canon e atualizar o blog Na ponta da pauta, além de retomar a criação de caprinos na Fazenda São Jorge, situada em Monte Alegre do Piauí, sua cidade natal. Em reconhecimento à triunfal trajetória desse jornalista pós-graduado em Gestão Pública, 59 anos, Nosso Jornal revela como ele galgou, meritoriamente, os postos de estagiário, revisor, paginador, coordenador de área, coordenador-geral e, em várias ocasiões, diretor-geral adjunto e substituto. Em reunião de imprensas oficiais, representou a Casa em Portugal.




O semblante sério, muitas vezes carrancudo do jornalista Jorge Luiz Alencar Guerra pode passar a imagem de alguém mal humorado e impaciente. Em defesa de proposições consideradas por ele como as mais viáveis para a Imprensa Nacional não escondia sua irritação nas diversas reuniões de coordenação ou em discussões com os colegas de setor. Mas o cenho fechado denota somente o senso de responsabilidade deste agora servidor aposentado da Casa que, como poucos, adquiriu um domínio profissional para além das suas atribuições de técnico em comunicação social, cargo para o qual fora admitido em concurso público promovido pelo antigo Departamento de Administração do Serviço Público em 1981, mas chamado somente em 1985.

O último concurso promovido pela Casa, diga-se. As lembranças daquela ocasião permanecem vivas na memória privilegiada de Jorge. “As provas foram realizadas no sábado e domingo, dias 19 e 20 de dezembro de 1981, no Restaurante da Imprensa Nacional, aproveitando a estrutura de mesas espaçosas e com possibilidade de separação de candidatos”, recorda-se.
Ele representou a Imprensa Nacional Brasil afora e até no exterior, durante o VII Encontro de Imprensas Oficiais de Língua Portuguesa, ocorrido em junho de 2010 na cidade de Tomar, em Portugal. Como representante dos servidores no Conselho Consultivo da Geap, tornou-se um dos seus mais combativos conselheiros.

Acrescente-se que a bem-sucedida trajetória de Jorge Guerra na Imprensa Nacional começou antes da admissão via concurso público, quando aqui estagiou na área de revisão de texto em 1979, selecionado pelo Instituto Euvaldo Lodi para cumprir exigência da grade curricular do curso de Comunicação Social concluído em 1981, no então Centro de Ensino Unificado de Brasília (Ceub), atual UniCeub. 


Das 50 vagas do concurso de 1981, cerca de 60% foram ocupadas por seus colegas de jornalismo do Ceub, entre eles Dermeval Dantas, Miguel Félix,  Déborah Cardoso (os três em atividade hoje na IN), Roseleila Marcondes,  Lucia Mosmam (já falecida), Cristina Santos, Elizabeth Vitoriano e Angélica Vilhena. Do Correio Braziliense vieram Valdir Braz, Maria Teresa, Nelson Monaiar, Lourdes Sallas, Maria Inês e Sandra Regina, dentre outros.

Habilitado em jornalismo, sua lotação começou pela Seção de Revisão da antiga Diretoria de Publicações (DPb), em 1985. Lá permaneceu onze meses, a única excursão fora da linha de jornais nesses 35 anos de dedicação exclusiva à Casa. Na Seção de Paginação de Jornais (Sepaj-Diário Oficial da União), também da antiga DPb, ele iniciou sua permanente atuação no segmento de jornais. “Em 1990, fui chamado para cobrir a ausência do titular da Diretoria de Publicações. Acho que neste mesmo ano as diretorias da Imprensa foram segregadas em divisões e aí surgiu a Divisão de Jornais Oficiais (Dijof). Permaneci como chefe da Dijof até julho de 1994”.


Tão logo deixou a chefia, recebeu e aceitou o convite de José Edmar Gomes, então gerente da Seção de Paginação de Jornais –(Sepaj-Diário da Justiça), para trabalhar como tercista. De lá foi reconvocado a chefiar a Dijof, em 1999. Voltou novamente à Sepaj-DJ para iniciar e ser multiplicador na paginação eletrônica. Atuou ali até março de 2003, quando passou a coordenador de Editoração e Divulgação Eletrônica, hoje Coordenação de Editoração e Divulgação Eletrônica dos Jornais Oficiais (Coejo). Em outubro de 2004 respondeu pela Coordenação-Geral de Publicação e Divulgação (Coged) sendo efetivado como titular de novembro daquele ano até aposentar-se neste mês de abril de 2016. Coube a ele também a incumbência da implantação da Lei de Acesso à Informação na Casa, desde a inauguração do nosso Serviço de Informações ao Cidadão, em 13 de maio de 2012.


Informatização — Tamanho envolvimento o levaria a participar ativamente do processo de informatização do DOU e do DJ. “Começamos a prospectar o mercado no início de 1992. Àquela época, somente algumas publicações da Abril, do grupo Folha e do grupo Estadão eram editoradas eletronicamente, mas de maneira muito incipiente”, lembra-se. Os fornecedores de soluções, quando passavam a conhecer a realidade dos jornais oficiais da Imprensa Nacional, esquivavam-se de apresentar propostas. “Chegamos a discutir com consórcio de empresas que se juntavam para oferecer soluções”.

Somente em 1997, com a contratação da Empresa de Processamento de Dados do Rio Grande do Sul (Procergs), iniciou-se de fato a informatização. “Hoje temos ferramentas que dão segurança ao processo. Mas tudo isso é evolutivo e não se pode preterir de investimentos anuais em tecnologia, sob pena de comprometimento da estrutura e da segurança dos diversos processos”, recomenda.


Parque gráfico — Sob a supervisão de Jorge, o parque gráfico renasceu praticamente das cinzas. Em 2004 havia apenas duas impressoras offset (Solna 125 e Multilith), as duas rotativas Goss e uma guilhotina. Todos os demais equipamentos de pré-impressão, impressão e acabamento, foram adquiridos entre 2005 e 2010. Ante as restrições orçamentárias, a gráfica foi planejada para atender às demandas por serviços estratégicos da Presidência da República. “Nada fiz sozinho e nem poderia fazer. Em todos os projetos contei com a participação e o conhecimento de quem de fato e de direito podia contribuir”, reconhece.

Naquele período foram adquiridos dois equipamentos CtP com processadoras digitais de chapas; a impressora digital; a impressora rotativa DGM (foto acima); as impressoras bicolor Adast e a quatro cores KBA; guilhotina trilateral; guilhotina de corte reto; duas dobradeiras (meia folha e folha inteira); capeadeira; alceadeira com estação de grampo e corte; laminadora/ plastificadora; sistema de filtragem de água por osmose para os equipamentos; central de ar comprimido industrial; dois stacker (empilhadora e contadora de jornais)
Desmonte Domínio técnico, assiduidade, liderança, serenidade, sensatez e companheirismo foram atributos insuficientes para impedir sua redistribuição da Casa em 2000 juntamente com mais 27 servidores no famigerado episódio conhecido como Desmonte da Imprensa Nacional, que também levou de roldão equipamentos e atividades seculares. Retornou com boa parte dos redistribuídos por determinação judicial. Uma ação ainda tramita nos tribunais e exige reparação por danos morais ao grupo transferido sem critérios para outros órgãos da Administração. Para Jorge, aquela foi a pior fase vivida por ele na Imprensa Nacional. “O melhor momento, sem dúvida, é este que estou vivendo. É a certeza do dever cumprido”, afirma, longe de transparecer o menor sentimento de revanche.


Família — Jorge é filho único do fazendeiro e comerciante piauiense Ady Guerra Lemos, falecido em 2003, e da baiana de nascimento e piauiense de coração, Daysa Alencar Guerra, professora aposentada, com especialização em História da Idade Média. “Não tive a graça de ter irmãos de sangue. Mas a casa dos meus pais sempre foi cheia de primos e filhos de amigos que vinham do interior para estudar na cidade. Assim, tenho muitos sobrinhos”, conforma-se.

A esse parentesco, ele já sonha acrescentar os netos, anseio compartilhado com a esposa Denise Maria Lustosa do Amaral Guerra, psicóloga organizacional e especialista em Reengenharia de Recursos Humanos, servidora da Imprensa Nacional “e companheira de todas as horas”. Como essa parte da história familiar ainda não foi combinada com os filhos, Jorge e Denise ainda esperarão um pouco.
Daniel, embora recém-casado com a publicitária Rayssa Mendes Guerra, ainda posterga a ideia. Também jornalista, por enquanto dedica-se à Assessoria de Imprensa do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. Mariana, solteira, psicóloga clínica com especialização em Psicopedagogia, só pensa em diversificar a clientela do seu consultório e, em breve, concluir sua segunda formatura, desta feita em Neuropsicologia. Os dois filhos seguiram a predileção do pai pelo Fluminense. “Torcida espontânea”, apressa-se a esclarecer Jorge para afastar a hipótese de pressão, mas esquecendo-se das bolas e camisas presenteadas a Daniel e Mariana na tenra idade.
De qualquer forma, quando os netos chegarem, aguarda-lhes a frondosa sombra dos mulungus e cajueiros que adornam a casa colonial da fazenda São Jorge, localizada às margens do outrora caudaloso rio Gurgueia. Ao lado da casa, a capelinha dedicada a São Jorge reúne vizinhos, amigos e familiares na missa anual dedicada ao Santo Guerreiro, a cada terceiro domingo de julho. “Sou devoto de muitos santos. O culto a São Jorge tem muito a ver com a fazenda de mesmo nome e é uma homenagem de minha mãe ao santo”.
Demonstração da religiosidade católica da família, a capela soma-se aos cinco padres primos de Jorge, certamente uma extensão dos estudos de dona Daysa em colégio de freiras, na condição de interna, dos sete aos 20 anos.
A família reside no Guará desde 1990, tendo antes morado em Sobradinho por cerca de onze anos. Fora de Brasília, Jorge e Denise moraram em Natal de 1982 a 1985, quando ele trabalhou na Coordenação Estadual da Fundação Projeto Rondon e, de lá, retornou para assumir o emprego na Imprensa Nacional. Aquele cajueiro da fazenda São Jorge é fruto dessa temporada de Jorge no Rio Grande do Norte, mais especificamente da praia de Pirangi, local do maior cajueiro do mundo e de onde saiu a muda para o Piauí. O Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras e o jornal Correio Braziliense foram as outras duas experiências profissionais de Jorge.

Ainda em Monte Alegre, cursou o antigo primário no Grupo Escolar José de Anchieta e o ginasial no Ginásio Nossa Senhora de Fátima. A relação de Jorge com Brasília remonta a 1971, época do início dos seus estudos aqui, aos 14 anos. Estudou os dois primeiros anos do então curso científico no Colégio de Sobradinho, mas terminou o segundo grau no Colégio Sagrado Coração deJesus, em Teresina. 
Depois da conclusão, se preparou para o vestibular em Salvador. Aprovado na segunda opção para Fisioterapia, não se matriculou. Retornou a Brasília e conseguiu aprovação para jornalismo no Ceub, por influência de José Edmar Gomes, hoje servidor da Imprensa Nacional e amigo de Jorge desde o primeiro ano do curso científico, em Sobradinho. Em 2014, concluiu a pós-graduação em Gestão Pública pela Escola Nacional de Administração Pública – Enap. 


Futuro da IN — Na avaliação de Jorge, a Imprensa Nacional é um marco referencial. Precisa ser vista pela angulação da atipicidade da sua natureza na Administração Pública Federal. “É uma indústria e assim deve ser tratada. Precisa de autonomia administrativa e técnica para respirar novas experiências; precisa de decisões pontuais sem subjetivismos. Enfim, precisa de respeito”. Ele defende a mudança de natureza jurídica para modelos já testados e aprovados no serviço público, medida que propiciará crescimento institucional, amadurecimento do seu negócio e consolidação da importância do seu papel para o Estado brasileiro.

Jorge situa o fim do jornal impresso como uma decisão de Governo. Mas considera difícil alguma autoridade assumir a responsabilidade de descontinuar a impressão. “Não há segurança cem por cento na inviolabilidade do armazenamento de dados. Os recursos tecnológicos são caríssimos e sofrem atualizações contínuas com custos significativos. O jornal impresso é documento cartorial e dispensa possibilidades de alteração de conteúdo. Além do mais temos capacidade de impressão instalada de última geração e com vida útil de 30 anos ou mais. Mas, como disse, é uma decisão de Governo”.

Aposentadoria — Aquele cenho fechado se abre em permanente sorriso em família ou com os amigos em torno de um churrasco. Aí somos apresentados a um exímio contador de causos, muitos deles ocorridos aqui mesmo na Imprensa Nacional. O sorriso tende a se alargar com as atualizações do seu blog Na ponta da pauta, ativo desde 2010. Os planos são muitos, mas ele resume bem. “Primeiramente, esvaziar a cabeça. Mudar o foco. Fazer coisas das quais me privei pelo profissionalismo. Bermuda, camiseta, chinelo, câmera, laptop. Depois retomar a criação de caprinos para produção de carne com cortes especiais na Fazenda São Jorge. Lá, eu e Denise recarregamos as baterias e finalizamos os preparativos para viagens. Praia é sempre um roteiro certo”. Na foto acima, o momento da assinatura do termo de aposentadoria.

Serão benvindas as leituras de obras biográficas. Acaba de ler a monumental Getúlio, história de vida do presidente Getúlio Vargas, de autoria do jornalista Lira Neto. É fã de um faroeste no estilo John Wayne, Clint Eastwood, Lee Van Cleef e Yul Brynner, mas como são raros, contenta-se com as aventuras e os romances. 


DEPOIMENTOS

Rubens Cavalcanti Jr.
Museu da Imprensa


Conheci o Jorge Guerra quando eu ainda trabalhava no Ministério da Justiça. Quando o então ministro Paulo Brossard, ou o secretário-geral adjunto, me solicitava que trouxesse alguma publicação para o Diário Oficial,  recomendava assim: ‘Favor entregar nas mãos do sr. Jorge Guerra’.


 Jorge é uma das pessoas que mais conhecem a Imprensa Nacional, um excelente profissional, grande companheiro e amigo. Lembro-me bem uma vez em que uma turma de estudantes de Direito queria fazer uma visita noturna ao Museu, com uma palestra sobre o Diário da Justiça. Então pedi ajuda ao Jorge, que prontamente se dispôs a fazê-la. A Imprensa Nacional foi muito elogiada pela iniciativa. Aprendi muito com Jorge, e gostaria de dizer em meu nome e do Museu da Imprensa, meu muito obrigado”. 



Francisco das Chagas Pinto
Servidor Aposentado da IN.

“Prezado amigo Jorge Guerra, enfim chegou o momento em que alegria e tristeza se conciliam. Alegria porque você, aposentado, terá seu merecido descanso, uma nova etapa que te trará muitas bênçãos. Tristeza pelo grande vazio que, sem dúvida você deixou naquele nosso tão querido "chão de fábrica". Afinal, foram muitos anos que caminhamos lado a lado, desde as primeiras minutas do que seria o novo parque gráfico, até recentemente, há um ano, quando também me aposentei.
Você marcou profundamente cada um de nós, pela forma como sempre conseguiu aliar suas competências profissionais com suas qualidades humanas. Sua prontidão em ajudar, suas palavras amigas de força e incentivo — particularmente a mim, em momentos que a mão amiga foi importantíssima na minha trajetória de gráfico — ficarão guardadas em meu coração. Por tudo isso e por sua marca indelével cravada em máquinas e homens daquela Imprensa Nacional, desejo-lhe que o novo caminho que ora desponta, possa, merecidamente, lhe conduzir à mais plena felicidade. Um grande abraço”!



José Edmar Gomes

“Quando entrei no Colégio de Sobradinho, pela primeira vez, para iniciar o primeiro ano do segundo grau, no final dos anos 1970, cruzei com um rapaz cabeludo, de forte sotaque nordestino, que simpaticamente me olhou e disse: ‘Que que há? Tudo bem?’
Eu, como mineiro, meio introvertido, em meio a gente estranha e recém-chegado de Paracatu, achei aquele gesto meio ousado mas, ao mesmo tempo, confortador. Afinal, era uma atitude de gentileza para comigo, que me sentia invisível em meio a rostos estranhos. Dali, acabou nascendo uma bela amizade que perdura até hoje, com grande afinidade de princípios e de visão de mundo. Vivemos alguns anos na então pacata Sobradinho. Tempos certos e incertos do final da adolescência, as primeiras experiências da juventude, o primeiro copo de cerveja, os namoricos e tal.
A afinidade cresceu quando ele também optou por jornalismo e, apesar do seu afastamento de Brasília, no início dos anos 1980, o destino quis que nos encontrássemos exatamente na Imprensa Nacional, em 1985. Eu já estava aqui e qual não foi minha surpresa ao vê-lo sentado numa mesa de revisão, devidamente investido no cargo de técnico em comunicação social.
Àquela altura, ele já estava casado com Denise, uma mulher extraordinária, que lhe deu segurança, paz e dois filhos fantásticos que eu vi crescer e se tornarem profissionais tão capazes quanto seus pais, os quais me dão honra de chamar de tio. Daniel também é jornalista.  E que jornalista! Inclusive, publiquei o primeiro artigo que ele escreveu, acho que aos sete anos, no Folha da Serra de Sobradinho. Tá registrado.
Confesso que, ao vê-lo aposentado, levei um susto. Imagino que ele abreviou  seus planos, em função da sistemática que a administração pública imprime à nomeação dos cargos de confiança. Afinal, Jorge Guerra acabara de pós-graduar-se em Gestão Pública e, agora, mais do que nunca, além da especialização, seu conhecimento acumulado aqui, de estagiário a diretor-geral substituto, seria de fundamental importância para esta bissecular instituição. Mas a vida segue seu curso, conforme as circunstâncias.
Então, Jorge, que São Jorge te proteja e te dê muita saúde e paz, ao lado de sua família e dos seus entes queridos. Vá pela sombra, que estes dias estão muito quentes. Abração de seu velho brother” .



Edivaldo Marques
Presidente da Asdin

Este é um momento de uma estranheza tamanha.
Durante anos tivemos Jorge Guerra editorando ou coordenando a editoração do Diário Oficial da União. Um trabalho de grande importância para o Estado brasileiro como é a publicação das informações oficiais, sempre feito com entusiasmo e dedicação. Muitas e muitas foram as horas dedicadas por este profissional que sempre honrou a instituição Imprensa Nacional. A sua sabedoria, esforço e técnica sempre foram reconhecidas por todos que o cercam.
Por mim, especialmente, posso dizer que é uma pessoa que sempre se comportou com ética e profissionalismo no desempenho da sua carreira pública e me orgulho muito de poder chama-lo de amigo Guerra. Diversas foram as missões que tivemos juntos desde o início da informatização dos jornais oficiais, lá pelos anos de 1994.
Os dias atuais são alegres porque sei que todos temos anseios da chegada deste momento após cumprimos nossa missão profissional. Torcemos para que ele chegue juntamente com saúde, alegria e muita vitalidade e desta forma usufruirmos a tão sonhada aposentadoria com muita tranquilidade.
Por outro lado, um momento de tristeza, porque a Imprensa Nacional perde um ícone de profissionalismo. Hoje é quase impossível encontrar alguém que desabone a conduta ética e humana de Jorge Guerra.
Será muito difícil para a Imprensa Nacional encontrar um profissional com todos os seus conhecimentos, sua capacidade técnica, habilidade de negociação e postura profissional. É um momento de tristeza pela ausência, mas de alegria pela sua vitória pessoal.
Gostaria de agradecer por todos esses anos que você dedicou ao crescimento da Imprensa Nacional e por seus valiosos conselhos, apoio e intervenções quando se fizeram necessárias nas lutas da nossa Associação dos Servidores da Imprensa Nacional – Asdin.
Desejamos que você usufrua bem da sua aposentadoria e tê-lo como nosso sócio será sempre motivo de orgulho para nós.
Agora o aposentado Jorge Guerra pode, tranquilamente, concluir aquela caminhada pelo calçadão da Barra da Tijuca...”.



Alexandre Miranda

Coordenador-Geral 
de Publicação e Divulgação

Foi um privilégio trabalhar e aprender com o mestre Guerra, servidor apaixonado pela Casa, como tantos, gestor habilidoso, como poucos.
Aposenta o amigo, mas fica o legado de realizações e o exemplo do profissional respeitado que ele era. Fica também a lembrança dos ‘causos’ que ele contava como ninguém.
Certamente, Jorge Guerra é um dos grandes personagens da Imprensa Nacional”.


Fernando Tolentino de Sousa Vieira
Diretor-Geral da Imprensa Nacional
De 2003 a 2015



“Ao chegar, tive muita sorte em encontrar Jorge Guerra na Imprensa Nacional. Um ex-aluno daqueles que, terminada a aula, vinha à minha mesa para esclarecer dúvidas e fazer as suas ponderações. Boas lembranças!
Convidei Jorge para assumir a Coordenação de Editoração e, pouco depois, a Coordenação-Geral responsável por toda a área finalística. Viria a ser uma peça fundamental em nossa administração. Competente, leal, absolutamente comprometido com a Imprensa Nacional e sua missão, capaz de encontrar boas soluções e implementá-las com surpreendente agilidade, bom colega, ótimo amigo.
Tenho certeza que a aposentadoria de Jorge só não traz um prejuízo maior para a Imprensa Nacional e a Administração Federal porque jamais deixou de ser o tipo de líder que fazia questão de dividir o seu conhecimento e estimular o crescimento dos colegas.
Outras certezas: a de que Jorge terá sucesso nos projetos que vier a realizar e a de que continuaremos grandes amigos”.

Pedro Paulo Oliveira
Assessor de Comunicação Social
da Imprensa Nacional

Taí Jorjão, parabéns pela sua heroica trajetória na Imprensa Nacional. Como o repórter deve ser impessoal, isento e imparcial, fora de texto digo-lhe que aprendi muito contigo tanto aqui como no Correio Braziliense, embora lá a convivência tenha sido mais curta. Em ambos os casos, confesso que você sempre me passou aquela tranquilidade de quem conhece o que faz e a coragem de enfrentar os poderosos donos da razão. Abraços. Estou com uma Vale Verde para o dia do nosso chope. Desejo toda paz do mundo para você, Denise, Daniel, Mariana e os futuros netos. 

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Azul da cor do mar

Foto: Wilson Dias/Agência Brasil  
Em um Plenário vazio o senador Paulo Paim (PT-RS), discursava hoje para gatos pingados presentes à galeria e mais sete servidores legislativos, entre eles assessores e segurança, que cumpriam a sua lida diária.
Onde estavam os senhores Senadores da República na tarde de hoje?
“Esgotados” pelo enorme esforço na votação do “aberto ou fechado” voto sobre a traquinagem do senador Delcídio Amaral (PT-MS)?
Talvez, recolhidos a confabular sobre o cesto de ovos em que está se tornando a vida parlamentar diante de denúncias e investigações.  Não acredito nesta hipótese.
            A grande maioria se acha acima de qualquer suspeita e se encouraça nas prerrogativas que lhes garantem imunidades material e formal, aliadas ao foro privilegiado, além de outras prerrogativas de menor simbologia.
Com salário e vantagens os rendimentos de um Senador ultrapassam os R$ 100 mil mensais, complementados por mais cinco trechos de passagens aéreas por mês entre a capital do Estado que representa e Brasília.
Em um país aonde o salário mínimo – remuneração de um terço da população brasileira – não chega aos R$ 800, é ultrajante e vergonhoso remunerar representantes do povo com rendimentos que os distanciam dos seus representados.  
Uma Constituinte específica para rever regras da Carta de 1988, entre elas a composição do Congresso Nacional em suas duas casas, sem que os constituintes pudessem concorrer nas eleições seguintes, talvez pusesse fim a tamanho abuso, ou seja, 81 Senadores e 513 Deputados Federais.
Não é difícil imaginar a economia para o erário a redução do Senado para um terço da sua atual composição, passando a representação de um Senador por ente federado e, consequentemente, diminuindo a sua composição para 27 Senadores. Tal medida se implementada na Câmara dos Deputados, considerando o princípio da proporcionalidade, poderia reduzir a sua composição para 343 Deputados. E só isto, representaria uma economia da ordem de R$ 30 milhões/mês ou R$ 390 milhões/ano. Com estes recursos seria possível, em quatro anos, construir, equipar e manter funcionando cerca de 550 escolas e creches com cerca de 170 mil vagas.
Certamente, vale a pena sonhar! Mas daí a acontecer, há uma distância de castas que, dificilmente, será vencida.