terça-feira, 18 de abril de 2017

Cidade de Natal é festa e luz o ano inteiro

Foto: Dicas de Viagem
O Natal é festa, é celebração, é alegria e é luz artificial. A cidade do Natal é festa, é mar, é alegria e é luz solar todos os dias do ano, ou seja, é Natal o ano todo.
A capital do Rio Grande do Norte tem como antecedente à sua fundação, a construção de uma fortaleza, sobre os arrecifes, à margem esquerda da foz do rio Potengi com o objetivo de proteger a capitania contra os ataques indígenas e dos corsários franceses. Em formato de estrela, a construção em pedra, argila e óleo de baleia, teve início em 6 de janeiro de 1598 e foi concluída no dia 24 de junho do mesmo ano. Nascia assim, o Forte dos Reis Magos. Com a construção da fortaleza não tardou o surgimento de uma povoação e em 25 de dezembro de 1599 é fundada a cidade do Natal.
O gentílico do Rio Grande do Norte é chamado de potiguar ou potiguara em referência a uma grande tribo Tupi que habitava a região litorânea.  Em Tupi quer dizer "comedor de camarão". Dizem os natalenses que o gentílico do sertão é o “papa jerimum”.
Natal é a segunda menor capital brasileira em área territorial, entretanto, é a sexta capital em densidade populacional. De acordo com a NASA, a cidade tem o ar mais puro de todas as Américas.
Estive em Natal, pela primeira vez, em 1981, em viagem de lua de mel. Encantei-me pela cidade com ares interioranos, excelente culinária regional, praias lindíssimas e todas elas apropriadas ao banho. Quis o destino e no ano seguinte, chegávamos de mala e cuia como novos moradores da cidade do Natal.
Foto: Elias Medeiros
Naquele tempo, no setor hoteleiro da cidade dois expoentes se destacavam o Hotel Ducal, no Centro, e o Hotel Reis Magos, na praia dos Artistas. Outros pequenos hotéis e pousadas compunham a rede de hotelaria. Na praia de Ponta Negra apenas a Casa de Hóspedes (pousada administrada por religiosos). O único canal de televisão local era o da TV Universitária da Ufrn. A TV Globo era sintonizada a partir de uma repetidora da mesma rede em Recife. Dois jornais disputavam a preferência do público de terça a sábado o Diário de Natal e a Tribuna do Norte. Aos domingos (já no sábado após as 17h00) circulavam O Poti. Havia, ainda, A República que circulava junto com o Diário Oficial do Estado, de segunda a sexta. Não havia Shopping Center. O acesso ao litoral norte era feito pela ponte de Igapó.
Nas barracas da praia de Ponta Negra os fregueses assíduos tinham suas despesas de final de semana anotadas em cadernetas e devidamente pagas por ocasião do recebimento do salário. Para desfrutar de um dia na praia de Cotovelo era preciso levar os comes e bebes, uma vez que não havia barraquinha para comercialização. Redinha, no litoral norte, era ponto de veraneio dos abonados natalenses. Genipabu, coisa de turista rico. Pipa, Cacimbinhas, Praia do Amor, Búzios eram quase inacessíveis.
Foto: Imóveis Mitula
Agora, trinta e alguns anos depois, arranha-céus fazem sombra sobre o mar de Ponta Negra, o acesso ao litoral norte é feito por uma moderníssima ponte estaiada, hotéis se avizinham por todas as avenidas, restaurantes, bares, shopping centers, turistas etc, se multiplicam. De fato, a cidade cresceu e quase triplicou a sua população, mas continua aconchegante, simpática e acolhedora.
Ponta Negra, mais que nunca, afirma-se como a princesinha do mar nordestino. Que bom ter ido a Natal!

Nós num renuncia não, padre!


No início da década de 1970 ainda não havia chegado a energia elétrica nos municípios sul piauienses. Os eventos profanos e religiosos quando realizados à noite eram iluminados pelos fifós e aladins. Alguns estabelecimentos possuíam o famoso Petromax.
Na solenidade de Sábado de Aleluia, na Matriz de Nossa Senhora de Fátima, no Alto do Anchieta, em Monte Alegre, o folclórico vigário padre Raimundo Negreiros que exaustivamente havia ensaiado alguns ritos com a comunidade conclamava a todos à participação na bênção do Fogo, da Água, dos Óleos e na renovação das promessas do Batismo. Apagam-se os aladins e tem início a cerimônia.
Àquela hora, ziguezagueando e falseando o passo, dois amigos inseparáveis se aproximavam da ladeira da Rua do Meio rumo à Matriz. Com muito esforço e lutando contra o efeito da sabugueira chegam ao patamar da igreja. Estranhando o ambiente sem nenhuma iluminação Abel dos Santos (seu Abel) segura o braço de José Pinto (Zé Pinto) e pergunta:
- O que houve? O padre botou o pessoal para rezar no escuro?
Zé Pinto, de pronto, regateia:
- Num sei não, cumpade.
Então, resolvem se dirigir para a soleira da grande porta principal não sem antes tirar os chapéus. O breu se dissipava pela luz das velas que começavam a ser acesas. O padre pede a todos que respondam de forma vibrante as perguntas do ritual da renovação das promessas do batismo. 
O padre em voz alta: Renuncias a Satanás? A comunidade uníssona: Renuncio!
Os dois amigos mais perdidos que cegos em tiroteio estavam ainda mais zonzos com aquela motivação. Sem perda de tempo seu Abel encosta no ouvido de Zé Pinto e pergunta:
- O senhor renuncia cumpade? A negativa foi instantânea. Então, seu Abel levanta a mão e berra:
- Nós num renuncia não, padre!


Texto publicado originalmente no livro Chegou hoje? Quando volta?  1ª edição, 2014, Oliveira, Pedro Paulo Tavares.

Aqui é Gérson, votando em você, Raul.


O pleito municipal de Monte Alegre no ano de 1976 apresentou uma novidade já quase esquecida desde os idos de 1962: a campanha apresentava dois candidatos e, desta vez, na eram da Arena 1 e Arena 2. O MDB, recém-fundado na cidade, tinha candidato próprio. A nova sigla absorveu um número considerável de eleitores, até então, fiéis a “renovação” proposta pela Arena.
Além disso, a unificação das facções da Arena foi motivo de desconforto para muitos. A formação das chapas foi motivo de muita discussão, conchavos  e desagrados. Cada  chapa procurava contar com “os bons de votos” concorrendo a uma vaga na Câmara Municipal e somando votos para a eleição de prefeito. Alguns candidatos já tinham cadeira quase cativa na assembleia.
Raul Ribeiro Soares era um deles. Quase que sem esforço renovava o mandato a cada quatro anos. Já nos últimos dias de campanha foi juntamente com o candidato a prefeito Abílio Rocha e a tropa de choque a um comício em São Dimas. Ao final do comício foram todos fazer uma avaliação do ato e “limpar a guela” no bar de Gerson Vilarindo. Depois de alguns rabos-de-galo – a cerveja não era tanta, Raul questionou Gerson sobre a possibilidade de ter o seu voto.
De cara, Gerson deu todas as garantias de que estava fechado com Raul, porém, fez questão de lembrar que no pleito passado Raul não lhe dera o voto. Na volta para Monte Alegre, os oito passageiros enlatados como sardinha no jipe de Ady Guerra, comentavam sobre o comício e Raul disse que não acreditava que Gerson fosse votar nele.
O certo é que a conversa vazou. O resultado? Durante a apuração dos votos na sede da Prefeitura de Gilbués um voto chamou a atenção de todos que se aglomeravam com lápis e papel fazendo contas.  Para Vereador: Raul e no rodapé da cédula: “Aqui é Gerson votando em você, Raul”.
O Juiz declara:
 - Voto nulo!


Texto publicado originalmente no livro Chegou hoje? Quando volta?  1ª edição, 2014, Oliveira, Pedro Paulo Tavares.

Poucas e boas do padre Raimundo Negreiros

Raimundo Dias Negreiros nasceu na cidade de São Raimundo Nonato, estado do Piauí, em 1º de janeiro de 1931. Era o quarto filho do casal Manoel de Negreiros Sobrinho (seu Nezinho) e Maria Dias de Negreiros (dona Maninha), cuja prole era de 17 filhos.
Cursou o ensino básico em sua terra natal e, já como seminarista, partiu para Salvador. Lá, cursou o ensino médio e, depois, Filosofia. Concluído o curso de Filosofia, seguiu para Roma, com outros 34 seminaristas, para cursar Teologia no Seminário Pio Brasileiro.
Catacumba de Priscila
Em 25 de fevereiro de 1956 foi ordenado sacerdote na Basílica de São Paulo Extra Muros e, no dia seguinte, celebrou sua Primeira Missa na Catacumba de Priscila. 
De julho a setembro de 1956, viajou por vários países da Europa e, no dia 28 de setembro daquele ano, embarcou de Roma para o Brasil a bordo do navio francês Provence.
Desembarcou no Rio de Janeiro em 11 de outubro. Viajou até São Paulo, para encontrar-se com o irmão Edilvo e outros parentes. Depois de alguns dias em São Paulo seguiu viagem para São Raimundo Nonato. Chegou no dia 7 de novembro, sendo recebido com muita alegria e com grandes homenagens.
Em 11 de novembro de 1956 celebrou sua Primeira Missa na terra natal na presença do Bispo Dom Inocêncio e de vários padres concelebrantes. 
Alguns dias depois inicia a sua vida apostólica como padre; vigário auxiliar e professor.
Em São João do Piauí substituiu por algum tempo o Padre Sólon. Posteriormente, foi transferido para Corrente na condição de auxiliar paroquial e professor do Colégio São José, dirigido por padres mercedários. Em 1958 retornou a São Raimundo Nonato. Na condição de professor, foi lotado no Colégio Dom Inocêncio permanecendo ali por seis meses. Ainda, em 1958, retorna a Corrente atendendo um chamado de Dom José Vasquez. Naquela cidade retoma suas atribuições e permanece por nove anos.
Em 1967, Dom José Vasquez avisa que ele deverá assumir, como pároco, em uma das cidades que estavam sem vigário. Não precisou de muito tempo para se decidir por Monte Alegre. Já no Domingo de Ramos tomava posse na presença de padre Getúlio de Alencar, autoridades locais e de uma grande massa de fiéis.
Durante algum tempo lecionou no Ginásio Divina Pastora, em Gilbués. Naquele tempo amadureceu a idéia de fundar um Ginásio em Monte Alegre, uma vez que muitos jovens deixavam os estudos por não ter condições para residir fora do município. A ideia ganhou corpo e adeptos. O espírito idealizador do Padre Raimundo contagiava a todos, que de alguma maneira se colocavam à sua disposição.
Não havia tempo a perder. Cumpridas as exigências legais, no dia 2 de julho de 1967, nasceu a Obra Social Nossa Senhora de Fátima, de Monte Alegre do Piauí, suporte e mantenedora do Ginásio Nossa Senhora de Fátima. A ideia tornava-se concreta.
No segundo semestre de 1970, quando os alunos pioneiros do Ginásio já cursavam a antiga 2ª série, inaugurou-se o prédio onde se instalaria e funcionaria em caráter permanente o Ginásio Nossa Senhora de Fátima, abrindo novos horizontes aos jovens de Monte Alegre.
Incansável, padre Raimundo, continuou promovendo a fé pela educação. Seu esforço foi reconhecido, tendo ele assumido, por nomeação do então governador do Estado, Dr. Dirceu Arcoverde, o cargo de Superintendente do Complexo Escolar Regional de Corrente, cargo que ocupou até março de 1980.
A convite do então reitor da Universidade Federal do Piauí, professor Camilo Silveira Filho, coordenou os Cursos de Extensão Universitária na Microrregião de Corrente. Dois anos depois foi lotado no Projeto Piauí, último trabalho que realizou como educador, passando desde então a exercer as tarefas específicas do seu sacerdócio.
Mais ainda faltava realizar um grande sonho acalentado e alimentado por muitos anos. Mais uma vez, o seu espírito idealizador faria concreto o grande sonho: a construção de um Santuário para devoção à mãe de Deus. Graças à ajuda de amigos de Teresina, Brasília, Goiânia e de todas as cidades do extremo sul do estado do Piauí ergueu o templo planejado.  
Praça Padre Raimundo Dias Negreiros.  
Ao centro o Santuário Nossa Senhora de Fátima
  Em 10 de fevereiro, com participação de representantes dos diversos segmentos político, social, religioso do estado e de outras unidades federativas surge o grande, bonito e imponente Santuário Nossa Senhora de Fátima, capaz de receber os fiéis que já não encontravam acomodação na igrejinha matriz.
Naquele dia o semblante do padre Raimundo deixava transparecer a felicidade, a paz do dever cumprido e denotava o gesto de carinho à comunidade mariana que ele tanto amava. Com o coração pleno daquela paz ele repetia sempre:  “Os anos de vida que ainda me restam, eu os ponho à disposição de Deus e dos meus irmãos na fé”.
Algum tempo depois, já bastante debilitado pela doença, interna-se em Teresina. Lá, falece em 12 de novembro de 1996, não sem antes manifestar o seu desejo de ser sepultado no Santuário Nossa Senhora de Fátima, para, assim, repousar eternamente na terra que tanto amou e entre o povo que o acolheu, ajudou e amou como padre, como mestre, como amigo de todas as horas e como irmão.
Sua lembrança estará sempre conosco porque ele fez realmente parte da nossa história e das nossas vidas.

Aos causos, pois.

Uílis? João eu te batizo em nome do Pai do Filho e do Espírito Santo

Em desobriga pelo interior do município o padre. Raimundo e sua “ajudância de ordem” desembarcam no Brejo na casa do senhor Chico Elvas, depois de uma tarde inteira de viagem desde Monte Alegre.  Não demora a sair a janta e logo todos se acomodam nas redes armadas na sala. Pela manhã, logo depois do café de massa, se dirigem para um prédio público que servia de escola. O padre autoriza o início dos apontamentos com os nomes dos batizandos, pais e padrinhos. Absorto nas anotações não olhava para a pessoa que informava os dados. Tendo finalizado um apontamento, outro informante é convocado.
- Nome da criança?
- Uílis, responde a genitora.
- Padre! A mulher está dizendo que o nome do menino é Uílis. Pode?
- Hum, hum!
Encerradas as anotações, os batizandos e respectivos padrinhos são chamados a formar um círculo para facilitar os ritos da cerimônia.
O padre vai andando dentro do círculo e perguntando o nome de cada criança e ao mesmo tempo despejando água na cabeça.
- Este?
A mãe, posicionada atrás dos padrinhos, se apressa em responder:
- Uílis!
O padre então completa a etapa:
- João, eu te batizo em nome do pai, do filho e do espírito santo.
Sem olhar para a mãe resmunga:
- Não sabe nem falar o nome que quer por no filho.

O diabo vai ser achar o santo

Ao descobrir que era possível captar na Alemanha doação de recursos para obras nas pequenas paróquias do interior da América Latina, o padre Raimundo não perdeu tempo. Projetou construir, além do Santuário de Nossa Senhora de Fátima, algumas capelas no interior. Uma delas foi a capela do povoado São Dimas.
Contando com a receptividade e o apoio da comunidade, começou a discussão sobre a localização da futura capela. Aproveitando uma passagem do bispo por Monte Alegre, comunicou-lhe a iniciativa. O bispo, também, entusiasmou-se com o projeto, mas aproveitou para perguntar:
 - E o santo a ser homenageado?
Padre Raimundo sapecou:
- Tem que ser São Dimas. O senhor não acha?
O bispo, antevendo a dificuldade, disse:
- Mas vai ser difícil encontrar uma imagem.
Tempos depois, ao finalizar a obra e “quebrar” umas geladas em uma birosca próxima à capela, resolveu ir a Bom Jesus comunicar o fim das obras ao bispo. Na viagem parou em Paus e “quebrou” mais umas três geladas para amainar o calorão. Retoma a viagem e ao chegar a Bom Jesus, vai direto ao Palácio Episcopal. Entra. Sem ser anunciado, grita:
- Senhor bispo acabei a Capela de São Dimas. Agora, o diabo vai ser achar o santo.

Eu não saio de Monte Alegre. Que saia o bispo que é espanhol!

Logo depois da posse do bispo D. Ramón Carozas em substituição a D. José Vásquez, convoca-se uma Assembleia com a participação de todos os padres da diocese de Bom Jesus. À medida que chegavam  eram recepcionados por seminaristas e guiados até aos aposentos que cada um deveria ocupar dentro do Seminário. Na hora do jantar não faltaram comentários sobre a pauta da reunião, até então desconhecida de todos.
Depois do jantar foram todos à Missa na Catedral de N. Sra. das Mercês. Antes de dormir, um lanchinho básico. Nova rodada de especulações, os nervos já à flor da pele. De repente, um dos padres diz que um dos pontos a ser discutido seria o rodízio entre os vigários nas paróquias. A informação parecia ser procedente, pois o padre alvissareiro indicava alguns nomes dados como certos no rodízio.
Noite mal dormida. Depois do café começa a Assembleia. O novo bispo saúda os padres e lhes apresenta as boas-vindas.  O assunto não foi tratado na parte da manhã. À tarde, um dos padres afirma ter visto as papeletas com os nomes dos vigários e as novas paróquias. O padre Raimundo, sem a sesta costumeira, estava com a cabeça pesada e já de saco cheio com o assunto. Proclama:
- Eu não saio de Montalegre, de jeito nenhum. Estou muito bem lá e espero acabar meu dias por lá.
Um dos padres lembrou que a ordem seria do bispo. Com a simplicidade que lhe era peculiar, padre Raimundo bateu o martelo:

- Eu não saio. E se o senhor bispo não ficar satisfeito que saia ele que é espanhol. Eu sou é brasileiro, estou na minha terra!

Textos publicados originalmente no livro Chegou hoje? Quando volta?  1ª edição, 2014, Oliveira, Pedro Paulo Tavares.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Projeto para obscurecer a transparência


Foto Cristina Horta/EM/D.A.Press
    Parece que o Governo de Minas Gerais anda na contramão da transparência pública. Projeto de Lei nº 3.511/2016, de autoria do governador Fernando Damata Pimentel, tramita na Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais propondo a EXTINÇÃO DA IMPRENSA OFICIAL DO ESTADO, inclusive, já contando com a aprovação, em 1º turno, das Comissões de Constituição e Justiça; de Administração Pública; e de Fiscalização Financeira e Orçamentária.

    A IOMG é a responsável pela publicação do Diário Oficial do Estado, bem com pela produção de impressos e documentos técnicos, além de publicações em geral para os órgãos e entidades do Governo de Minas. É uma autarquia superavitária e com excelente capacidade de investimento. Possui um parque gráfico de considerável capacidade e qualidade de produção.


     Prestes a completar 125 anos de serviços prestados ao Estado e à Sociedade, vive a IOMG a iminência da extinção para atender interesses escusos e provavelmente conchavos resultantes de campanha eleitoral. 
    Como servidor aposentado da Imprensa Nacional (a imprensa-mãe no Brasil) e já tendo vivido diversos momentos de tentativas de desmonte do órgão para saciar a volúpia dos interesses políticos, vejo com desconfiança esta tibornice que permeia essa secular autarquia.
    É preciso que a sociedade saiba o que essa extinção significa para o Estado e para o povo de Minas Gerais. As imprensas oficias são responsáveis pela custódia de atos dos governos encaminhados para publicação, resguardando o sigilo e a autenticidade, até a divulgação de forma democrática, sem privilegiar nenhum segmento ou veículo de comunicação. 
    A extinção da IOMG faz pressupor que algum veiculo de mídia privada possa custodiar estes atos e, assim, ter conhecimento de maneira antecipada das decisões do Governo. Isto se agrava pelo expressivo contingenciamento de pessoal que permanecerá nas atividades do novo órgão, o que contribuirá para aumentar as estatísticas de desemprego para profissionais das áreas de criação, comercial, financeira e gráfica.
    Isto não pode acontecer! Isto é embaçar a transparência pública e desrespeitar o cidadão!

sexta-feira, 8 de julho de 2016

O tiro pela culatra

Lula Marques AGPT
Poderá ser mortal para o governo do presidente interino Michel Temer o tiro pela culatra na tentativa, por debaixo dos panos, de salvar o mandato do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) aos costurar acordo para a renúncia dele da presidência da Câmara dos Deputados.

Cunha é hoje o que de pior há na vida política brasileira. Negociador ardiloso, político temeroso, com requintes exacerbados de vingança, e colecionador de escândalos, poderá voltar sua bazuca para o Planalto, caso não consiga safar-se da cassação do mandato em Plenário. Os nós arrocham sufocando suas defesas e minando suas forças.

Caso Cunha não consiga manter o mandato estará aberta a temporada “dedo no gatilho” com ele atirando em todas as direções. E mesmo para quem puder, vai ser difícil se salvar. Tiros à esquerda tendem a ricochetear para o centrão que aninha a grande maioria do Congresso Nacional. E aí é que mora o perigo para o Planalto, que segundo o jornal O Globo, edição de hoje, 8 de julho, noticia que o acordo para a renúncia de Cunha da presidência da Câmara teve o aval de Temer e do PMDB.

Lula Marques AGPT
Deste acordo noticiado pelo jornal O Globo resultará a absolvição ou a cassação de Cunha. A primeira possibilidade será uma lástima para o governo interino de Temer,  uma Casa legislativa sem credibilidade e jogando para debaixo do tapete as denúncias e os escândalos de corrupção. A simples cassação de Cunha poderá repercutir nos pilares de sustentação do governo Temer. Afinal, é imprescindível considerar, o cassado será ninguém menos do que Cunha. A partir daí, será um vale-tudo em se tratando de denúncias, críveis ou não, de fatos e personagens congressistas e palacianos.

O governo Temer não consegue alcançar vôo de cruzeiro. Paira sem conseguir alcançar altitude suficiente para aprovar medidas necessárias e urgentes que permitam ao País a volta ao patamar de crescimento. Quando consegue engrenar uma arrancada não a mantém por avaria em um dos componentes da estrutura de governo, tendo como causa o envolvimento em negociações e participações ilícitas.

Assim, a crise político-econômica tende a se agravar e o buraco a aprofundar.
Lula Marques AGPT
Um País de políticos sujos e povo que não desiste, nunca. É este o Brasil!


terça-feira, 17 de maio de 2016

Como o romance de Maria José Dupré, éramos seis.

Sábado, 23 de abril, pouco depois das sete horas da manhã, incorporei-me ao grupo que havia saído de Sobradinho – Arival, Belizário, Deusvaldo, Jesumar e Roberthson, e tinha como primeiro destino a cidade de Diamantina, em Minas Gerais. De lá, outros destinos seriam escolhidos desde que neles estivesse a cidade de Serro.  Motivo: meus primos Belizário (Júnior) e Roberthson (Berão) iriam tentar identificar troncos da família Ávila para saber um pouco mais do seu avô paterno José de Ávila que migrara muito jovem para a região de garimpos do médio São Francisco na Bahia, onde constituiu família. Ahhh... a visita a cidade de Serro também estava pautada para aquisição de queijos diversos produzidos ali. Outra certeza ao começar a viagem era que eu, Júnior e Berão, iriamos até o Piauí. Uma Toyota Prado e uma L 200 nos carregariam do planalto central às montanhas de Minas com a esticada ao Piauí.
O primeiro bate-papo do grupo foi em Cristalina, parada estratégica para um cafezinho e discussão sobre o almoço.  Apesar da resistência de Arival, venceu a sugestão de comermos uma peixada de Surubim no Restaurante Beira Rio, em Três Marias, às margens do Velho Chico. Independente da apresentação do prato, o mestre Arival estava com a razão. O peixe não foi o que esperávamos.
Causou estranheza a todos a quantidade de pedágio no trecho de Brasília ao trevo para Curvelo. Cinco ao todo, a R$ 4,60 cada, e muito pouca pista duplicada. Coisas do Brasil!
Chegamos a Diamantina ao anoitecer e a temperatura, àquela hora, na casa dos 20° indicava que o frio iria apertar mais tarde. Para nós, sedentos por uma bebidinha, isso era fator de menos importância. Noite fechada, guiados pela Prado de Arival tendo como co-piloto Jesumar – já habitués das plagas diamantinenses – chegamos à Praça da Matriz de Santo Antônio, após percorrer um beco em que só é possível passar com carros médios recolhendo os retrovisores externos. Ali, bem próximo, por toda a Rua da Quitanda, mesas apinhadas de pessoas que degustavam petiscos e pratos da terra acompanhados de vinhos, cervejas e doses da legítima cachaça mineira, aguardando a Vesperata, um evento musical da cidade que tem datas definidas de abril a outubro. A música, o casario colonial e a iluminação em formato de lampiões nos remetem a rememorar a história do Brasil, fatos e personagens dela. Certamente, que não esquecemos Juscelino Kubistchek, o filho mais ilustre da cidade.

Pela manhã voltamos ao centro histórico de Diamantina para fotografias e incursões em becos e ladeiras. Em uma das vielas encontramos um café da manhã comunitário e muito folclore regional. 

Na noite anterior tinha ficado resolvido que o nosso próximo destino seria Serra do Cipó. Pegamos a estrada rumo à Cordilheira do Espinhaço. Logo no início da viagem, uma placa indicava a nascente do Jequitinhonha. Da serra para o mar. Trechos de asfalto e terra compõem grande parte do trajeto até Conceição de Mato Dentro entrecortado pela Estrada Real (Diamantina-MG a Paraty-RJ), destinada ao escoamento da produção de ouro e diamantes.

Passava do meio-dia quando chegamos à Serra do Cipó. Cidadezinha com clima de montanha e opções de ecoturismo. Depois de um rápido almoço fomos nos instalar na Pousada Prata Serra do Cipó. Aproveitando a área de lazer e a cerveja gelada, ficamos até o escurecer em um bate-papo de diversos e inesgotáveis assuntos. À noite, o grupo, desfalcado de Deusvaldo que ficara “descansando” na pousada, foi até o centro comercial da cidade a procura de cerveja gelada. Para nossa surpresa o barzinho que escolhemos sugeriu, como opção, chope da Brahma. Certamente, ao sairmos, um barril ficou vazio.
Dia seguinte, logo depois do café da manhã, iniciamos a subida da serra com destino a Serro e uma parada programada, para aquisição de linguiça caipira, em Conceição de Mato Dentro. O estômago já reclamava a ausência de um grude quando chegamos ao nosso destino.

De cara, logo ao entrar na cidade, identifiquei uma placa em um estabelecimento que poderia por fim à busca de Júnior e Berão sobre seus antepassados. A placa indicava um boteco com o nome da família. Marquei o local para uma visita.
Paramos no Restaurante Dodóia e Júnior que oferece comidas caseiras típicas da cozinha mineira. A entrada da refeição principal é a base de queijos diversos produzidos no município acompanhados de uma legítima cachaça mineira, para os apreciadores. Depois de uma exagerada refeição, na verdade sem preocupações como as taxas do hemograma, fomos conhecer a Pousada da D. Tuca, uma sugestão econômica de Denise Guerra baseada em pesquisas na internet. Considerando o benefício da pousada, o custo estava de bom tamanho.
Devidamente instalados deixamos o local para conhecer a cidade, suas igrejas e outras construções coloniais. Depois das visitas ao Pelourinho, às igrejas de Nossa Senhora do Carmo e de Santa Rita, esta com seus 57 degraus longos, fomos até o Butiquim J. Ávila matar a sede. Ali, entre uma cerveja e uma explicação, ficou evidente que a busca de Berão e Júnior por seus ancestrais não é uma tarefa fácil, haja vista que em todos os ramos da família Ávila há um José para homenagear o patriarca do casal português que se instalou no Serro. Diante do fato resolvemos retornar à pousada com o intuito de encomendarmos uma galinha caipira para o jantar. A encomenda foi prontamente aceita por D. Tuca, porém, com uma advertência: “galinha não é problema, pois tenho e mato, mas não faço.” Imediatamente, e de forma uníssona, todos disseram: “Berão faz”.  E fez! Jantamos e nos recolhemos para fugir do friozinho cortante.

Pela manhã, fomos direto à Cooperativa em busca dos queijos. Queijos e sabores para todos os gostos. As encomendas e as compras de cada um terminaram por encher três grandes caixas térmicas que ocuparam quase todo o bagageiro da Prado, inclusive as minhas compras, as de Berão e as de Júnior, uma vez que de Serro nós iríamos para o Piauí rumando para o norte de Minas. Após as despedidas pegamos a estrada. Arival, Deusvaldo e Jesumar retornando a Brasília e nós seguindo o traçado inicialmente acertado.
Na primeira hora de viagem um barulho na cabine da L 200 começou a ser notado. O barulho era como se fosse provocado pelo contato de um plástico duro com outro ou com metal e minha impressão era que vinha do painel frontal mais especificamente do aparelho multimídia. Berão concordava. Júnior receoso de que fosse algo com o conjunto de direção estava apreensivo. Paramos em uma oficina em Diamantina, mas logo por consenso resolvemos seguir viagem até a oficina autorizada Mitsubishi, em Montes Claros. Chegamos por volta de meio-dia. Demos entrada no veículo e saímos para almoçar. Na volta o consultor técnico informou que o carro passaria por um recall na fechadura do capô e seria providenciada a avaliação da reclamação. O recall foi realizado e o carro devolvido sem que tenha sido identificado nenhum barulho. Melhor assim. Júnior deixou a oficina com o ego massageado pela resposta do consultor técnico e do mecânico a uma solicitação de avaliação informal sobre o estado do veículo: notas 9,5 e 9,0, respectivamente.
Como ficamos parados mais de três horas, chegamos à Janaúba ao cair da noite. Como não conhecíamos a estrada resolvemos procurar um hotel para pernoite. A cidade de Janaúba destaca-se pela produção de frutas tropicais, especialmente a banana, e pelo abate diário de 800 bovinos destinados à exportação para a Europa, Ásia e Oriente Médio. Pegamos novamente a estrada tendo como referência a cidade de Cocos, na Bahia. Depois de viajar cerca de uma hora passamos pela cidade de Jaíba, que detém um dos maiores projetos de irrigação com águas do São Francisco, resultado de uma parceria entre o governo federal e o governo do estado de Minas, para produção frutícola, olerícola e outras culturas tradicionais. Logo adiante chegamos às margens do São Francisco. Majestoso e exuberante se deixa cortar por balsas usadas para travessias de pessoas, veículos leves e pesados. Do outro lado a cidade de Manga. Ao saber que havia feira no mercado Berão exigiu uma visita para aquisição de feijão, farinha e temperos básicos. Após as aquisições, voltamos a pegar a BR-135 – terra, bico de pedra, poeira e um pouco de excelente asfalto.
Mas ainda faltava o inusitado!


      Ao passar sobre a ponte do rio Carinhanha, divisa dos estados de Minas Gerais e Bahia, fomos surpreendidos pelo fim da estrada, literalmente. Após a ponte, sem nenhum aviso nos dois quilômetros que a antecedem, havia uma cerca. Uma cerca de arame farpado! Uma armadilha irresponsável patrocinada por órgãos governamentais a quem competem o projeto, a construção, a sinalização e a conservação das rodovias. Ficamos a imaginar àquela situação à noite, com visão limitada. Coisas do Brasil!

Voltamos cerca de um quilômetro até um trevo que dá acesso a uma corrutela que se liga a Cocos na Bahia por meio de estrada típica para carros de boi ou carroças e, hoje, muito bem vencida pelas inúmeras motocicletas da região. 

 Do nada, como uma miragem, ao final de uma descida em curva, surge uma ponte de madeira sobre um curso d’água impressionantemente límpido e transparente. Ao passar sobre a ponte Júnior perguntou a mim e Berão: estamos com pressa? A resposta, óbvia: de maneira nenhuma. Vamos parar. Paramos o tempo suficiente para que não passássemos de Barreiras-BA naquela noite. Ou seja, paramos mais tempo do que devíamos parar. Instalados em uma mesa rústica à beira do rio Itaguari, nas sombras de árvores frondosas, pedimos um almoço básico e o regamos com loiras geladíssimas.  Tínhamos que seguir viagem, afinal ainda nos faltava vencer cerca de 800 km até o nosso destino, as fazendas Estreito e São Jorge.

Chegamos a Barreiras-BA, por volta de 19 horas, para nosso último pernoite antes de chegar ao Piauí. Saímos cedinho e antes das 11 horas já estávamos aboletados no Bar do Mário em Monte Alegre bebendo cerveja, jogando conversa fora e preparando a matula líquida com vasilhames emprestados pelo dono do bar.
Nas fazendas foram cinco dias de comilanças e muita cerveja. Algumas providências acertadas e retornamos a Brasília após dez dias da nossa saída e 4.000 km percorridos.

Vai ter mais! Ora, se vai!